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Homem, 75 anos, miocardiopatia isquêmica com fração de ejeç...

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Q4191602 Medicina
Homem, 75 anos, miocardiopatia isquêmica com fração de ejeção de 30% procura atendimento médico por piora da fadiga, “fraqueza”, sensação de pré-síncope e dificuldade para realizar qualquer esforço. Relata, ainda, que houve redução da diurese. Faz uso habitual de furosemida 120 mg/dia, enalapril 10 mg/dia, carvedilol 50 mg/dia e espironolactona 25 mg/dia. Ao exame físico, apresenta tempo de enchimento capilar de 6 segundos, pulsos filiformes, extremidades frias, pressão arterial de 80 x 50 mmHg e frequência cardíaca de 90 bpm. Ausculta pulmonar com estertores em bases. Edema de membros inferiores 1+/4+.
Quais devem ser as medidas iniciais nesse momento?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O caso é de insuficiência cardíaca aguda descompensada com perfil hemodinâmico frio e úmido, pois há congestão (estertores, edema) associada a hipoperfusão/baixo débito (extremidades frias, TEC de 6 s, oligúria, pulsos filiformes, pré-síncope e PA 80x50 mmHg). Nesse cenário, a medida inicial entre as opções é inotrópico para aumentar o débito cardíaco, com dobutamina, e redução temporária do betabloqueador crônico, em vez de suspensão automática, na hipotensão/hipoperfusão.

Tema central: IC aguda frio e úmido
Análise das alternativas
A
Errada
Erra em dois pontos. Primeiro, transforma a noradrenalina em medida inicial obrigatória, mas a base não sustenta que toda hipotensão na IC aguda exija vasopressor imediato; ela o reserva mais para choque cardiogênico com necessidade clara de sustentar pressão de perfusão. Segundo, impõe suspensão total do carvedilol, quando o critério adotado na questão é redução temporária da dose na hipotensão/hipoperfusão, reservando suspensão para instabilidade mais grave.
B
Errada
A redução do carvedilol é coerente, mas o agente inotrópico não é o mais apropriado nesse contexto. O levosimendana tem efeito inodilatador e pode agravar a hipotensão já marcada de 80x50 mmHg. O fato de o paciente usar betabloqueador crônico pode atenuar a resposta à dobutamina, mas não torna o levosimendana obrigatório nem superior entre as opções disponíveis.
C
Errada
Há inadequação tanto no vasoativo quanto no manejo do betabloqueador. Levosimendana isolada é menos apropriada na presença de hipotensão importante por seu efeito vasodilatador, que pode piorar a pressão arterial. Além disso, a suspensão completa do carvedilol vai além do que a base sustenta para este cenário, no qual a conduta preferida é redução temporária.
D
Certa
A dobutamina acerta o alvo fisiopatológico do baixo débito, mas a alternativa falha no detalhe decisivo da questão: o carvedilol não deve ser automaticamente suspenso. Na leitura adotada pela banca, em descompensação com hipotensão e hipoperfusão, a conduta é reduzir a dose do betabloqueador, não necessariamente retirá-lo por completo.
E
Certa
A alternativa E é a que melhor alinha a fisiopatologia do caso com a conduta inicial. O problema dominante é baixo débito com má perfusão em paciente ainda congesto, o que sustenta o uso de inotrópico; entre as opções, a dobutamina é o agente mais diretamente voltado para aumentar contratilidade e débito cardíaco. Quanto ao carvedilol, em uso crônico, ele deve ser reduzido temporariamente na presença de hipotensão sintomática e hipoperfusão, em vez de ser retirado de forma obrigatória. Por isso, a combinação de dobutamina com redução de 50% do carvedilol é a melhor resposta disponível.
Pegadinha da questão
A banca separa D de E pelo manejo do carvedilol: o acerto não está apenas em escolher dobutamina para o perfil frio e úmido, mas em reconhecer que, nesse contexto, o betabloqueador crônico deve ser reduzido temporariamente, e não suspenso de forma automática. Outra confusão explorada é supor que a PA de 80x50 obrigue noradrenalina em qualquer formulação do caso.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro o perfil hemodinâmico: congestão com extremidades frias, TEC prolongado, oligúria e pulsos finos define frio e úmido.
  • Quando o problema dominante for baixo débito na IC aguda, procure a alternativa com inotrópico; entre as opções desta base, dobutamina cumpre esse papel.
  • Em usuário crônico de betabloqueador com hipotensão e hipoperfusão, a prova pode cobrar redução temporária da dose, não suspensão automática.
  • Levosimendana pode parecer atraente no uso prévio de betabloqueador, mas seu efeito vasodilatador pesa contra quando a hipotensão já é importante.

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