Homem de 28 anos, com diagnóstico de infecção pelo HIV há 8 ...

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Q3368422 Medicina
Homem de 28 anos, com diagnóstico de infecção pelo HIV há 8 anos, tendo recusado receber terapia antirretroviral durante todo este período. É admitido no serviço de saúde com quadro de febre, cefaleia e rigidez de nuca há 8 dias. Última dosagem de linfócitos T CD4 de 42 células/mm³. Tomografia de crânio sem alterações. Exame liquórico revela tinta da China e cultura positivas para Cryptococcus spp. Sobre este caso, assinale a alternativa correta:
Alternativas

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O tema central desta questão é o manejo da neurocriptococose em pacientes com infecção pelo HIV, sem terapia antirretroviral prévia, apresentando imunossupressão avançada e sintomas neurológicos.

A alternativa A é a correta. Este paciente apresenta um quadro típico de neurocriptococose, que é uma infecção fúngica do sistema nervoso central causada por Cryptococcus neoformans, especialmente em indivíduos imunocomprometidos, como aqueles com AIDS.

Os principais achados clínicos são febre, cefaleia e rigidez de nuca. A tomografia sem alterações e o exame do líquor positivo para Cryptococcus na tinta da China confirmam o diagnóstico. De acordo com as diretrizes, o tratamento inicial recomendado é anfotericina B associada à flucitosina por pelo menos 14 dias. Após a fase de indução, se a cultura do líquor for negativa e o paciente estiver estável, pode-se transicionar para fluconazol.

É importante também controlar a hipertensão intracraniana, uma complicação comum. Quanto ao início da terapia antirretroviral, deve-se aguardar pelo menos 4 semanas para evitar a síndrome inflamatória de reconstituição imune (IRIS).

Vamos analisar agora as alternativas incorretas:

B - Esta alternativa erra ao sugerir que a infecção é causada por C. gattii, que é menos comum em pacientes HIV positivos. Além disso, o início precoce da terapia antirretroviral (antes de 4 semanas) pode aumentar o risco de IRIS.

C - Apesar de identificar corretamente C. neoformans como o agente, recomenda apenas anfotericina B sem flucitosina, o que é menos eficaz. Além disso, sugere início precoce da terapia antirretroviral, o que não é recomendado devido ao risco de IRIS.

D - Novamente, a alternativa incorretamente identifica C. gattii como o agente causal. Embora a orientação de aguardar 4 semanas para o início da terapia antirretroviral esteja correta, a identificação do agente não está alinhada com o quadro clínico típico de pacientes HIV positivos.

Essa questão exige compreensão tanto da fisiopatologia da neurocriptococose quanto do manejo clínico em pacientes com AIDS. Sempre que se deparar com um quadro de meningite em um paciente HIV positivo, considere a neurocriptococose e aplique as diretrizes mais recentes para o tratamento e manejo.

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