Uma paciente de 34 anos revela, em ambiente seguro, que sof...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4069360 Direito Sanitário

Uma paciente de 34 anos revela, em ambiente seguro, que sofre agressões físicas e psicológicas do parceiro.



Assinale a alternativa correta sobre a conduta médica e a organização do cuidado em situações de violência doméstica no SUS.

Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: Lei nº 10.778/2003, art. 1º, caput: "Art. 1º Constitui objeto de notificação compulsória, em todo o território nacional, a violência contra a mulher atendida em serviços de saúde públicos e privados." Lei nº 10.778/2003, art. 2º, caput e § 4º: "Art. 2º A autoridade sanitária proporcionará as facilidades ao processo de notificação compulsória, para o fiel cumprimento desta Lei." "§ 4º Os casos em que houver indícios ou confirmação de violência contra a mulher referidos no caput deste artigo serão obrigatoriamente comunicados à autoridade policial no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, para as providências cabíveis e para fins estatísticos." Portaria de Consolidação GM/MS nº 4, de 28/09/2017, Anexo V, art. 13: "Art. 13. Fica aprovada, na forma do Anexo 2 do Anexo V , Ficha de Notificação compulsória de Violência Contra a Mulher e Outras Violências Interpessoais, que será utilizada em todo o território nacional." Art. 14, I e II: "Art. 14. A notificação compulsória de violência contra a mulher seguirá o seguinte fluxo: I - o preenchimento ocorrerá na unidade de saúde onde foi atendida a vítima; II - a Ficha de Notificação é remetida ao Serviço de Vigilância Epidemiológica ou serviço correlato da respectiva Secretaria Municipal de Saúde, onde os dados serão inseridos em aplicativo próprio; e" Como a paciente revelou violência doméstica em atendimento de saúde, incide o dever legal de notificação compulsória por ficha própria e de articulação do cuidado, sem depender de queixa-crime ou consentimento para a notificação epidemiológica.

Tema central: Notificação compulsória no SUS
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque subordina a notificação em saúde à decisão da vítima de formalizar denúncia policial. A Lei nº 10.778/2003 impõe notificação compulsória da violência contra a mulher atendida em serviço de saúde, sem essa condição. Também erra ao invocar sigilo absoluto do prontuário para impedir a notificação, pois a própria base afirma que o sigilo não é absoluto diante de dever legal de notificação.
B
Errada
Está errada porque exclui do serviço de saúde a investigação, identificação, notificação e organização do cuidado diante da violência. A base é expressa em que o papel do SUS não se limita à medicalização sintomática; há dever de reconhecer o agravo, notificar e articular o cuidado em rede.
C
Errada
Está errada porque não há fundamento jurídico, na base, para encerrar o acompanhamento longitudinal pelo fato de a paciente permanecer no contexto de violência ou não se separar do agressor. Ao contrário, a manutenção do vínculo assistencial é compatível com o dever de cuidado e com a lógica de rede do SUS.
D
Certa
A alternativa D acerta o núcleo jurídico da questão: a violência contra a mulher atendida em serviço de saúde é objeto de notificação compulsória por imposição legal, com uso de ficha própria, preenchimento na unidade de saúde e remessa à vigilância epidemiológica. Também está correta ao não condicionar a notificação epidemiológica à autorização da vítima. A base ainda sustenta o dever do serviço de saúde de acolher, organizar o cuidado em rede, zelar pela segurança e ofertar suporte psicossocial. Há apenas uma imprecisão parcial na redação ao generalizar a expressão "imediata (em até 24 horas)" para violência doméstica, mas, segundo a base, isso não afasta o acerto da alternativa, porque ela é a única compatível com a compulsoriedade da notificação e com o papel assistencial do SUS.
E
Errada
Está errada porque transforma o encaminhamento ao IML em providência universal, obrigatória e prévia a qualquer acolhimento ou suporte na unidade de saúde. A base afasta exatamente essa generalização: não há regra geral impondo encaminhamento obrigatório ao IML antes das medidas assistenciais.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre notificação compulsória em saúde e denúncia policial, além da falsa ideia de que o sigilo profissional impediria a comunicação sanitária obrigatória.
Dica para questões semelhantes
  • Separe sempre notificação epidemiológica em saúde de queixa-crime ou boletim de ocorrência: a primeira pode ser obrigatória independentemente da vontade da vítima.
  • Se a questão falar em violência contra a mulher atendida no serviço de saúde, lembre da Lei nº 10.778/2003 e da ficha própria de notificação prevista na Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017.
  • Não trate o sigilo profissional como absoluto quando houver dever legal expresso de notificação compulsória.
  • Desconfie de alternativas que reduzam o papel do SUS a prescrição de sintomas ou que imponham ruptura do vínculo assistencial ou encaminhamentos universais sem base normativa.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo