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Q978867 Português
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A MÁGICA DA EDUCAÇÃO
Educar-se é a precondição para que o trabalho seja uma escola 

Quase todos entendem: Os mais educados ganham mais. Por que será? O que a escola terá enfiado na cabeça do aluno, mudando sua forma de trabalhar - ou de se comportar como cidadão? Os números mostram claramente: quanto mais anos de escolaridade, maior o nível de renda. Que outras dúvidas haveria para demonstrar o poder da educação?
Isso é fácil de entender, pois aprendem-se na escola coisas que podemos usar no primeiro dia de trabalho. De fato, aprendem-se habilidades que o mercado valoriza e pelas quais está disposto a pagar, como ler, escrever, receber instruções por escrito e muito mais. A escolaridade permite decifrar um orçamento e entender um manual de instruções. Quem sabe fazer essas coisas ganha mais, pois é mais produtivo para a empresa. E, como os economistas demonstram de forma persuasiva, se alguém recebe salários maiores é porque produz mais. Mas os números contêm uma charada. Com o passar do tempo, vamos esquecendo o que aprendemos na escola. Alguns conhecimentos mal duram até o dia da prova.
Ao começarmos a trabalhar, usamos o que nos ensinou a escola. No ano seguinte, já teremos esquecido muito do que nos foi ensinado. Sendo assim, diria a lógica, se ganhamos pelo que aprendemos na escola, ao irmos esquecendo, nosso salário deveria diminuir. Mas é exatamente o oposto. Os analfabetos se aposentam praticamente com o mesmo salário inicial. Para quem estudou, em vez de caírem, os salários sobem ao longo da vida profissional. E não é só isso: sobem mais quanto mais escolaridade se consegue acumular. Mas não voltamos à escola, não nos ensinaram nada de novo que pudesse ser remunerado. Ainda assim, sobem os salários.
Por que será? Diante de uma situação de trabalho, o analfabeto não consegue encontrar uma maneira melhor de lidar com ela. Portanto, continua fazendo sempre o mesmo. Já quem passou pela escola adquiriu formas de pensar e agir que permitem decifrar as situações de trabalho e lidar criativamente com os desafios que aparecem. Amadurece seu julgamento, toma melhores decisões e aprende formas mais eficazes de trabalhar. Além disso, alcança uma compreensão mais ampla do mundo. Enfim, adquire um equipamento intelectual que lhe permite transformar a experiência de trabalho em produtividade. Usando uma expressão comum aprender a aprender.
Portanto, quanto mais aprendemos na escola, mais somos capazes dessa conversão de experiência em aprendizado. O equipamento para lidar criativamente e aprender com o mundo do trabalho torna-se mais poderoso. Com um diploma superior, ao chegar à maturidade, um indivíduo ganha três vezes seu salário inicial. Os números são claros: a capacidade de aprender a aprender dos mais escolarizados vale mais que os conhecimentos úteis que possuíam no primeiro dia de trabalho. A educação consiste em equipar as pessoas para aprender a fazer coisas que não foram ensinadas na escola. O trabalho é uma grande escola, mas somente para quem estudou. No fundo, os conhecimentos incluídos nos currículos valem menos por sua utilidade intrínseca e mais pela oportunidade de exercitar nosso raciocínio, ao lidarmos com eles.

(CASTRO, Cláudio de Moura. Revista Veja, 6 de AGOSTO, 2018. p. 73)



Em: "Os números mostram claramente: quanto mais anos de escolaridade, maior o nível de renda”, o fragmento denota:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Interpretação de texto com foco em relações semânticas ― Proporção. O conhecimento cobrado exige que o candidato reconheça o tipo de relação estabelecida entre duas ideias: se é de tempo, finalidade, concessão ou proporcionalidade.

Análise da alternativa correta (D - Proporção):

No fragmento “quanto mais anos de escolaridade, maior o nível de renda”, a estrutura “quanto mais... maior” indica nitidamente uma relação de proporcionalidade. Trata-se de uma oração subordinada adverbial proporcional, ou seja, os fatos apresentados variam em proporção direta: se um aumenta, o outro aumenta na mesma medida.

Segundo Bechara, “as orações proporcionais exprimem um fato que aumenta ou diminui na mesma proporção do fato expresso na oração principal”. Exemplos comuns: “Quanto mais estuda, mais aprende”; “Quanto menos se cuida, menor é a saúde”.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

A) Tempo: Orações temporais indicam quando algo acontece (ex: “Quando o sinal tocou, saímos”). No trecho analisado, não se fala de tempo, mas de aumento simultâneo de dois fatores.
B) Finalidade: Indica objetivo ou razão para algo (ex: “Estudamos para passar no concurso”). Não há intenção ou objetivo, mas sim relação de aumento conjunto.
C) Concessão: Envolve ideia de contraste ou surpresa (ex: “Embora chova, vou sair”). Não há oposição, mas sim relação direta entre escolaridade e renda.

Dica para provas: O uso da estrutura “quanto mais... mais” ou “quanto menos... menos” costuma marcar proporcionalidade ― um avanço importante para reconhecer esse tipo de relação em textos e evitar confusões com relações de tempo, causa ou oposição. Fique atento a pegadinhas: nem sempre a prova trará conjunções tradicionais; observe a construção das orações e seu sentido.

Resumo: O trecho evidencia proporcionalidade ― à medida que aumenta a escolaridade, aumenta a renda. Assim, a alternativa D é a correta.

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Comentários

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GABARITO: LETRA D

"Os números mostram claramente: quanto mais anos de escolaridade, maior o nível de renda

>>> Temos uma proporção, quanto mais anos passados na escola maior será o nível de renda obtido.

Força, guerreiros(as)!!

É algo que se dá na mesma quantidade ou algo equivalente no mesmo nível.

 LETRA: D

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"Quando tudo diz que não, tua voz me encoraja a prosseguir ... eu sei que não estou só... . "

Oração Subordinada Adverbial de proporcionalidade.

Conectivos de proporcional : Quanto mais... maior...

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