A anestesia geral para procedimentos cirúrgicos de duração p...
A anestesia geral para procedimentos cirúrgicos de duração prolongada em equinos é geralmente realizada pela administração de anestésicos inalatórios. Contudo, os agentes inalatórios são potentes depressores cardiopulmonares dose-dependente e a prevenção da resposta nociceptiva à cirurgia requer concentrações mais altas desses agentes do que as concentrações necessárias para produzir inconsciência. Dessa forma, têm-se observado o aumento da utilização de agentes anestésicos intravenosos para manter a anestesia geral, graças ao desenvolvimento de substâncias com farmacocinética compatível para o uso em infusão contínua.
(COELHO, 2009; UMAR et al., 2015; VILLALBA et al., 2014)
Considerando a afirmação acima assinale a resposta incorreta.
Gabarito comentado
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Tema central: Anestesia geral intravenosa em equinos (TIVA) e anestesia inalatória parcial com infusão intravenosa (PIVA), com foco em depressão cardiopulmonar, analgesia transoperatória e uso de não barbitúricos como o propofol.
Alternativa incorreta (E) – Justificativa: Afirmar que o propofol “apresenta alta supressão da resposta nociceptiva quando usado como único fármaco” é falso. O propofol é um hipnótico GABAérgico (não barbitúrico) com mínima ou nenhuma analgesia; ele promove inconsciência e amnésia, mas não bloqueia adequadamente a nocicepção. Em equinos, sua utilização isolada exige adjuvantes analgésicos (p. ex., cetamina, alfá-2 agonistas, lidocaína, opioides) para controle da dor e para reduzir a necessidade de anestésico. Evidências e textos de referência (Lumb & Jones’ Veterinary Anesthesia and Analgesia, 6ª ed.; Equine Anesthesia: Monitoring and Emergency Therapy, 3ª ed.) reforçam que o propofol não confere boa analgesia transoperatória quando usado sozinho.
Por que as demais estão corretas?
A) PIVA (anestésico inalatório + infusões IV analgésicas) reduz a concentração do volátil (efeito MAC-sparing) e melhora a estabilidade hemodinâmica, particularmente com ceteramina, lidocaína, alfá-2 agonistas e opioides. Baseado em estudos clínicos em equinos (Villalba 2014; Umar 2015) e nos compêndios citados.
B) Protocolos de TIVA bem planejados (p. ex., cetamina + alfá-2 ± propofol/lidocaína) tendem a causar menor depressão cardiovascular que anestesia exclusivamente inalatória, com função cardiopulmonar clinicamente estável, desde que haja monitorização e suporte ventilatório quando necessário.
C) Vantagens da TIVA: menor depressão cardiorrespiratória (por permitir anestesia balanceada com doses menores de cada agente) e menor exposição ocupacional a anestésicos voláteis, reduzindo riscos ao anestesista e ao ambiente (normas de biossegurança).
D) Propofol é, de fato, um não barbitúrico amplamente usado em humanos e pequenos animais e também empregado em equinos para indução e, em protocolos selecionados, para manutenção (sobretudo em combinação). Contudo, exige analgesia complementar e vigilância por risco de hipotensão e apneia.
Estratégia para a prova: Identifique palavras-chave como “analgesia” vs “hipnose”. Lembre: propofol = hipnótico (GABA-A), não é analgésico. Quando a alternativa afirma “boa analgesia” com propofol sozinho, é uma pegadinha clássica em anestesiologia veterinária.
Relação com o edital: Corresponde a “Anestesia geral intravenosa barbitúrica e não barbitúrica: conceitos, indicações/contraindicações e farmacologia das principais drogas”.
Referências essenciais: Lumb & Jones’ Veterinary Anesthesia and Analgesia (6ª ed., 2021); Equine Anesthesia: Monitoring and Emergency Therapy (3ª ed., 2015); Villalba et al., 2014; Umar et al., 2015. Diretrizes e revisões em anestesia equina corroboram o uso de PIVA/TIVA e a ausência de analgesia do propofol.
Gabarito: E
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