A infecção do trato urinário (ITU) é uma condição comum nas ...
Gabarito comentado
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Tema central: classificação das infecções do trato urinário (ITU) na atenção primária, útil para reconhecer gravidade, necessidade de investigação e conduta.
Gabarito (INCORRETA): E – Classificação por transmissão (direta/indireta)
Justificativa: ITU não é classificada por “modo de transmissão”. A maioria é causada por Escherichia coli da própria flora intestinal, por via ascendente (colonização perineal → periuretral → bexiga; eventualmente rim). Relação sexual é fator de risco, não um mecanismo de “transmissão” entre pessoas. Procedimentos urológicos e cateteres são vias de inoculação iatrogênica, mas a taxonomia clínica consagrada não usa “direta/indireta”. Diretrizes como IDSA/UpToDate e protocolos do Ministério da Saúde não empregam essa classificação.
Análise das demais alternativas (corretas):
A – Anatômica (baixa/alta): Válida. ITU baixa: cistite/uretrite (disúria, polaciúria, urgência, hematúria, sem febre alta). ITU alta: pielonefrite (febre, dor em flanco, náuseas, Giordano positivo). Classificação guia necessidade de antibiótico sistêmico e avaliação de complicações. Referências: IDSA 2011; UpToDate.
B – Por sintomas (assintomática/sintomática): Válida. Bacteriúria assintomática: crescimento bacteriano em urocultura sem sintomas urinários. Tratar apenas em gestantes e antes de procedimentos urológicos com sangramento de mucosa; não tratar rotineiramente em idosos, diabéticos ou cateterizados crônicos. Referência: IDSA 2019; Ministério da Saúde.
C – Por complicação (não complicada/complicada): Válida. Não complicada: mulheres jovens, não grávidas, sem anomalias estruturais/funcionais. Complicada: qualquer ITU com obstrução, cálculos, rim policístico, bexiga neurogênica, cateter, imunossupressão, gestação ou em homens. Impacta escolha e duração do antibiótico e necessidade de imagem. Diretrizes: IDSA; UpToDate.
D – Por recorrência (reinfecção/recidiva): Válida. Recidiva: retorno com o mesmo microrganismo em até ~2 semanas, sugerindo foco persistente. Reinfecção: novo episódio após cultura estéril ou >2 semanas, geralmente com outro patógeno. Diferença orienta investigação (ex.: imagem) e profilaxia.
Estratégia de prova: em ITU, procure classificações que orientam conduta (anatomia, sintomas, complicação, recorrência). “Transmissão direta/indireta” é uma pegadinha típica de doenças contagiosas e não se aplica à ITU.
Referências essenciais: IDSA Guidelines (2011 cistite/pielonefrite; 2019 bacteriúria assintomática); UpToDate (Urinary tract infections in adults, 2024); Ministério da Saúde – Protocolo de Infecções do Trato Urinário na APS.
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