A hanseníase é uma condição crônica, cujo cuidado requer ac...
A partir dessa informação, assinale a alternativa CORRETA.
Gabarito comentado
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Tema central: Hanseníase é doença crônica, infecciosa, causada por Mycobacterium leprae, com tropismo por pele e nervos periféricos, exigindo diagnóstico clínico, tratamento padronizado (poliquimioterapia) e acompanhamento longitudinal.
Alternativa correta – A: Verdadeira. O agente é um bacilo álcool-ácido resistente (BAAR), fracamente gram-positivo, com parede rica em ácidos micólicos, que infecta preferencialmente células de Schwann e macrófagos cutâneos, levando a neurite periférica e perda sensitiva. Esse tropismo explica as lesões em áreas mais frias (orelhas, cotovelos, joelhos) e o sinal cardinal de diminuição de sensibilidade. (Referências: OMS/WHO Leprosy Guidelines; Ministério da Saúde – Diretrizes de Hanseníase; UpToDate; Harrison’s).
Análise das incorretas:
B – Descreve úlcera indolor de bordas infiltradas, achado típico de neoplasias cutâneas como carcinoma basocelular (úlcera roedora) ou, menos frequentemente, sífilis/gomo. Hanseníase costuma cursar com manchas hipo/eritematosas ou placas com alteração de sensibilidade, espessamento neural e sinais motores/autonômicos; ulceração não é apresentação típica inicial.
C – Lista o esquema da tuberculose (rifampicina, isoniazida, pirazinamida, etambutol). Na hanseníase o tratamento recomendado pela OMS/MS é a poliquimioterapia com rifampicina + dapsona + clofazimina (PB 6 doses; MB 12 doses). Isoniazida, pirazinamida e etambutol não fazem parte do esquema padrão para hanseníase.
D – Afirmar que o diagnóstico é “essencialmente” por baciloscopia e sorologia está errado. O diagnóstico é clínico, baseado nos três sinais cardinais: (1) lesões cutâneas com alteração de sensibilidade; (2) espessamento de nervos periféricos com déficit sensitivo/motor/autonômico; (3) baciloscopia positiva (quando disponível). Sorologias não são recomendadas na rotina da APS; baciloscopia e biópsia auxiliam, especialmente em casos duvidosos, preferencialmente em serviços de referência.
E – Define de modo incorreto a hanseníase indeterminada. Essa forma é inicial, paucibacilar, com poucas máculas hipocrômicas e sensibilidade discretamente alterada, sem manifestações sistêmicas. A descrição dada (pápulas, nódulos, placas infiltradas e face leonina) corresponde à forma lepromatosa, multibacilar, que pode ter acometimento sistêmico.
Dica de prova: Ao ver “BAAR que infecta células de Schwann” e “perda de sensibilidade em lesões cutâneas”, pense em hanseníase. Desconfie de alternativas que: (a) priorizam exames laboratoriais para diagnóstico na APS; (b) trocam o esquema terapêutico pela RIPE da tuberculose; (c) descrevem úlcera tipo neoplasia cutânea.
Fontes resumidas: OMS/WHO Leprosy Guidelines; Ministério da Saúde (Diretrizes para Vigilância, Diagnóstico e Tratamento da Hanseníase); UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
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