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Acerca do percurso do rio São Francisco, no estado de Alagoa...

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Q4234041 História e Geografia de Estados e Municípios

Acerca do percurso do rio São Francisco, no estado de Alagoas, julgue o item a seguir. 


A diminuição da vazão do rio São Francisco tem provocado o avanço da água salgada do oceano Atlântico em seu curso próximo à foz e a salinização deste trecho do rio entre os estados de Alagoas e Sergipe, com impactos no ecossistema fluvial.

Alternativas

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Assoreamento e Degradação das Margens

  • O desmatamento da vegetação nativa (mata ciliar) para a expansão agropecuária, a urbanização desordenada e as práticas inadequadas de uso do solo nas margens e nas cabeceiras aceleram a erosão.
  • A terra erodida é carreada para o leito do rio, provocando o assoreamento. Isso reduz a profundidade do canal, dificulta a navegação, compromete a captação de água e sufoca os habitats aquáticos.

Redução da Vazão e Alteração do Regime Hidrológico

  • A construção de uma cascata de grandes barragens para a geração de energia hidroelétrica (como Três Marias, Sobradinho, Itaparica, Paulo Afonso e Xingó) alterou drasticamente a dinâmica natural do rio.
  • O regime de cheias e vazas periódicas foi substituído por uma vazão controlada. Isso impacta negativamente a reprodução dos peixes (que dependiam das cheias para a piracema), altera a dinâmica das várzeas e compromete ecossistemas inteiros de várzea e igapó.

Poluição das Águas (Efluentes Urbanos e Industriais)

  • O lançamento de esgotos domésticos in natura (sem tratamento adequado) por grande parte dos municípios localizados às margens do rio, somado a resíduos industriais e à carga de defensivos agrícolas (agrotóxicos) e fertilizantes utilizados na agricultura irrigada.
  • A poluição orgânica provoca a proliferação de algas, a queda nos níveis de oxigênio dissolvido na água e a mortandade de peixes, além de riscos à saúde pública das comunidades que dependem diretamente da água do rio sem tratamento prévio.

Salinização e Intrusão Salina na Foz

  • A diminuição drástica da vazão do rio em alguns períodos, combinada com a regulação das barragens e a retirada de água para irrigação, enfraquece a força com que o São Francisco deságua no mar.
  • No Baixo São Francisco, ocorre o avanço da cunha salina (água do mar adentrando o estuário), o que saliniza os solos agrícolas das margens, prejudica a captação de água doce para consumo e irrigação na foz e destrói manguezais e habitats estuarinos.

Outras questões

CESPE UNEAL → A diminuição da vazão do rio São Francisco tem provocado o avanço da água salgada do oceano Atlântico em seu curso próximo à foz e a salinização deste trecho do rio entre os estados de Alagoas e Sergipe, com impactos no ecossistema fluvial. CERTO

CESPE SEPLAG → Além do impacto sobre a pesca, a crise hídrica do rio São Francisco, caracterizada pela baixa vazão, reduziu o seu alcance geográfico e afetou a circulação de mercadorias, impactando a economia estadual. CERTO

questão C

urbanização desordenada, expansão agro são efeitos que comprometem o rio São Francisco

Exemplo histórico sobre essa problemática:

Povoado Cabeço:

Localizada na foz do Rio São Francisco, no município de Brejo Grande, em Sergipe (na divisa com Alagoas), foi uma antiga vila de pescadores em Brejo Grande, Sergipe, que desapareceu completamente após ser engolida pelo mar, após a construção de barragens no curso do Rio São Francisco (principalmente a Usina Hidrelétrica de Xingó), o regime das águas mudou, provocando um forte processo de erosão costeira.

Vegetação da Região:

Com o avanço do mar, a vegetação sofreu forte salinização, matando árvores de mangue (formando áreas de "mangue seco") e destruindo as antigas plantações de subsistência. Na fauna, os peixes de água doce diminuíram drasticamente, prejudicando a pesca tradicional, e os animais terrestres perderam seus habitats, restando predominantemente aves marinhas e espécies adaptadas ao ambiente costeiro e arenoso.

Atualmente:

O único vestígio físico que sobrou do vilarejo é o histórico Farol de São Francisco, que hoje se encontra isolado, cercado pela água e visivelmente inclinado. Ele se transformou em um famoso ponto turístico e parada obrigatória nos passeios de barco que levam visitantes até a foz do "Velho Chico" e após perderem suas casas e verem o vilarejo ser engolido pelo mar na década de 1990, os ex-moradores entraram com uma ação judicial em 2003 e só em maio de 2024, após mais de 20 anos de tramitação, a Justiça Federal em Sergipe homologou um acordo definitivo no qual a Chesf foi condenada a pagar R$ 40 milhões em indenizações.

A fé na vitória tem que ser inabalável.

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