A modalidade dor se destaca do conjunto da sensibilidade pe...
I- A dor é corretamente considerada, por todos, consequência inexorável de doenças ou traumatismos. Técnicas diversas e opções variadas de fármacos não faltam. Porém, muitos dos doentes que se encontram no atendimento de emergência continuam desnecessariamente sofrendo de dores.
II- A dor é uma qualidade sensorial complexa, puramente subjetiva, difícil de ser conceituada e frequentemente difícil de ser descrita ou interpretada. De acordo com a International Association for the Study of Pain (IASP), a dor é atualmente definida como experiência emocional desagradável relacionada a um dano tecidual real ou potencial.
III- A dor musculoesquelética é a dor mais prevalente na população mundial, atingindo todas as faixas etárias. A incidência de dor crônica tem aumentado muito nos últimos anos em função de modificações nos hábitos de vida e no meio ambiente, além de inúmeras outras razões, como aumento do estresse e aumento das cobranças no mundo corporativo.
IV- Quando se depara com pacientes com dor, os conhecimentos de semiologia se tornam absolutamente nucleares na estratégia diagnóstica. Apesar de seu caráter subjetivo, apreciável em todas as suas dimensões apenas para quem a experimenta e de difícil verificação objetiva e quantificação, a dor quando bem avaliada pode ser desvendada e tratada.
Analisados os itens, é CORRETO afirmar que:
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Tema central: O tema da questão é a fisiologia da dor, sua definição, subjetividade, prevalência e a importância da avaliação semiológica, aspectos de extrema relevância para a prática médica – especialmente em pediatria cirúrgica.
Análise da alternativa correta (B):
A alternativa B) Apenas o item I está incorreto é a correta. A dor não é uma consequência obrigatória de doenças ou traumatismos. Com o avanço do manejo clínico e acesso a diversos fármacos e técnicas, a dor pode e deve ser prevenida, identificada e tratada. Segundo diretriz da IASP, a dor pode ocorrer sem dano evidente (página 5, Definições de Dor, IASP/2020) e deve ser ativamente tratada, invalidando a afirmação de que seja sempre inevitável.
Análise dos itens:
Item I – Incorreto: Erra ao sugerir que a dor é resultado inexorável de doenças ou traumas. Esse conceito contradiz o modelo moderno de atenção à dor aguda e crônica, que prioriza intervenção precoce e controle sintomático (Protocolos do Ministério da Saúde, 2021).
Item II – Correto: Define adequadamente a dor pela IASP: “experiência sensorial e emocional desagradável, associada a dano real ou potencial”. Ressalta a subjetividade e complexidade desse sintoma, o que corresponde com os consensos internacionais.
Item III – Correto: Destaca, de forma precisa, a alta prevalência da dor musculoesquelética em todas as faixas etárias e sua relação com o estilo de vida moderno. Estudos citados em revisões sistemáticas (ex: UpToDate; Dor musculoesquelética, 2022) reforçam esse panorama epidemiológico.
Item IV – Correto: Valoriza a semiologia detalhada da dor como pilar diagnóstico e terapêutico, alinhando-se com as principais recomendações clínicas. Mesmo sendo subjetiva, a dor pode ser adequadamente avaliada e tratada mediante anamnese e exame físico aprofundados (SBP, 2020).
Dica para concursos: Em questões sobre dor, atenção ao uso de termos como “inexorável”, “sempre” ou “inevitável”. Essas palavras geralmente indicam erro conceitual, pois a individualização do paciente e a variabilidade clínica são regras na prática médica.
Referências: IASP (2020), Ministério da Saúde (2021), SBP (2020), UpToDate (2022).
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