Paciente de 22 anos, menarca aos 13 anos de idade, apresenta...
Paciente de 22 anos, menarca aos 13 anos de idade, apresenta quadros de oligomenorreia intercalados com hipermenorragia, nega cólica menstrual e vida sexual. Não tem acne e hirsutismo. Sobre esse quadro clínico, é correto afirmar:
Gabarito comentado
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Tema central: O caso aborda alterações menstruais em mulher jovem, com oligomenorreia (ciclos espaçados) e hipermenorragia (sangramento excessivo), sem outros sinais de hiperandrogenismo. Tal quadro indica anovulação crônica, comum em distúrbios ovulatórios como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) ou disfunções isoladas do eixo hipotálamo-hipófise-ovário.
Justificativa da alternativa correta (B): A hipermenorragia ocorre porque, sem ovulação, não há produção sustentada de progesterona—o endométrio se mantém constantemente sob ação estrogênica, tornando-se espesso e instável. Quando a superfície endometrial se rompe, o sangramento é intenso. O uso de progestágeno na fase lútea (segunda fase do ciclo) restaura o padrão fisiológico, induz descamação regular, estabiliza o endométrio e reduz o risco de hiperplasia e de câncer de endométrio.
Embasa a conduta: Segundo o PCDT do Ministério da Saúde para SOP, “Os benefícios esperados do tratamento incluem a regularização dos ciclos menstruais... e redução do risco de hiperplasia ou carcinoma de endométrio.” O Manual MSD também orienta: “Mulheres geralmente recebem uma progestina intermitente... por 10 a 14 dias a cada 1 a 2 meses.”
Análise das alternativas incorretas:
A) O estrogênio isolado jamais deve ser utilizado para tratar sangramento associado à anovulação, pois pode aumentar o risco de hiperplasia e câncer endometrial.
C) O uso de progestágeno deve ser feito na segunda fase do ciclo ou nos últimos 10-14 dias do mês, não na primeira fase. Aplicar na fase inicial não reproduz o ciclo natural e não estabiliza o endométrio.
D) É um equívoco não tratar a oligomenorreia anovulatória. Mesmo em quem não tem desejo reprodutivo imediato, há risco real de hiperplasia endometrial e futuras complicações.
Estratégia de prova: Busque termos como “fase do ciclo”, “anovulação”, “progestágeno” e avalie sempre qual fase do ciclo está sendo tratada. Pegadinhas comuns: sugestões de estrogênio isolado ou de ausência de tratamento.
Conclusão: O tratamento com progestágeno na segunda fase do ciclo é seguro e efetivo para regularização menstrual e proteção endometrial, sendo a conduta respaldada por diretrizes nacionais e internacionais.
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