Paciente masculino de 25 anos, sem histórico prévio de pato...

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Q1781924 Medicina
Paciente masculino de 25 anos, sem histórico prévio de patologias, iniciou há 3 dias com prostração, mialgias e cefaleia frontal. Mora no interior do Rio Grande do Sul, é trabalhador rural em local com condições sanitárias precárias e esteve no estado de São Paulo há 2 meses, nega outras viagens. No exame físico, está em bom estado geral, lúcido, orientado e coerente, febril T ax: 38,5, ictéricio, apresenta na pele lesões cutâneas eritematomaculares, sufusão conjuntival e dor à palpação de membros inferiores. Qual o diagnóstico mais provável e a melhor conduta nesse caso?
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Tema central: A questão aborda diagnóstico diferencial e conduta em Doenças Infecto-Parasitárias, com ênfase prática na área de Medicina de urgência, particularmente em quadros febris agudos com icterícia e sinais musculares.

Justificativa da alternativa correta (A):
O conjunto de febre, icterícia, mialgias (especialmente em panturrilhas), sufusão conjuntival, lesões cutâneas e contexto de exposição rural precária aponta para leptospirose grave (forma ictérica ou Síndrome de Weil). Segundo a Nota Técnica nº 16/2024-CGZV/DEDT/SVSA/MS, “O tratamento deve ser iniciado no momento da suspeita clínica, não necessitando aguardar a confirmação dos resultados laboratoriais”, recomendando internação, terapia de suporte e antibioticoterapia no caso de gravidade icterícia e disfunção orgânica.

No quadro descrito, a presença de icterícia intensa associada a fatores epidemiológicos reforça leptospirose como diagnóstico primordial. O Ministério da Saúde destaca: “O início súbito de febre, sintomas musculares e icterícia em pacientes expostos é característica marcante das formas graves da doença”.

Análise das alternativas incorretas:

B) Dengue: Embora febre e mialgia sejam frequentes, icterícia não é habitual no início do quadro. Sufusão conjuntival e exposição a ambientes contaminados afastam o diagnóstico. Pegadinha: Não confundir dengue clássica com sintomas de leptospirose — o quadro inicial pode ser semelhante, mas presença de icterícia, dor em panturrilha e conjuntivite são mais típicos de leptospirose.

C) Septicemia por gram-negativo: Embora possa causar icterícia e choque, a história epidemiológica específica (trabalho rural, ambiente insalubre) torna leptospirose mais provável. Sepse bacteriana não costuma causar sufusão conjuntival típica.

D) Hepatite A: Mialgia e lesões cutâneas não são achados principais; ausência de sintomas gastrointestinais típicos também desfavorece.

E) Febre Amarela: Apesar de icterícia, ausência de viagem recente para áreas de risco e sufusão conjuntival diminui possibilidade. O longo intervalo desde a viagem à área endêmica não é compatível com o período de incubação da doença.

Estratégia para provas:
Atenção a sufusão conjuntival, mialgia de panturrilhas e icterícia em contexto epidemiológico típico (trabalho rural, exposição ambiental) — são “palavras-chave” que indicam leptospirose. Sempre lembre de avaliar os critérios de gravidade e iniciar terapêutica antes de confirmação laboratorial, conforme diretrizes nacionais.

Referências utilizadas:
Ministério da Saúde, Nota Técnica nº 16/2024-CGZV/DEDT/SVSA/MS; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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O diagnóstico mais provável é de Leptospirose, devido à apresentação clínica do paciente. A icterícia, as lesões cutâneas eritematomaculares, a febre e a dor à palpação de membros inferiores são características da doença. Além disso, a história do paciente, que mora em local com condições sanitárias precárias e esteve em São Paulo há dois meses, reforça a suspeita de Leptospirose, já que a doença é transmitida pela urina de animais infectados, que pode contaminar água e solo. A conduta indicada é a internação imediata e o início da terapia de suporte e antibioticoterapia para evitar complicações da doença, como disfunção renal, alterações cardíacas e pulmonares e até mesmo a morte.

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