Está inteiramente correta a pontuação da seguinte frase:

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Q2249878 Português
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     Na época do vestibular, minha sobrinha resolveu optar pelo curso de Enfermagem. – Por que não Medicina? – foi a infalível pergunta de muitos parentes e amigos. Moça paciente, explicou que não queria ser médica, queria ser enfermeira. Formou-se com brilho, fez proveitoso e bem sucedido estágio e hoje trabalha em um grande hospital de São Paulo. Mas ainda tem, vez ou outra, de explicar por que não preferiu ser médica.
     Muita gente não leva a sério essa tal de vocação. Ela levou. Poderia ter entrado, sim, no curso de Medicina: sua pontuação no vestibular deixou isso claro. Mas alguma coisa dentro dela deve ter-lhe dito: serei uma ótima enfermeira. E assim foi. Confesso que a admiro por ter seguido essa voz interior que nos chama para este caminho, e não para aquele. Poucas pessoas têm tal discernimento quanto ao que efetivamente querem ser. Em geral são desviadas dessa voz porque acabam cumprindo expectativas já prontas, mais convencionais. Calculam as vantagens, pecuniárias ou relativas ao status, fazem contas, avaliam “objetivamente” as opções e acabam decidindo pelo que parece ser o mais óbvio. Mas se esquecem, justamente, da mais óbvia pergunta: Serei feliz? É exatamente isso o que eu quero? Da falta desse fecundo momento de interrogação saem os profissionais burocráticos, sonolentos em seu ofício, vagamente conformados, que passam a levar a vida, em vez de vivê-la.
      Em meu último encontro com a sobrinha pude ver que ela está feliz. Faz exatamente o que gosta, leva a sério uma das mais exigentes profissões do mundo e se realiza a cada dia com ela. E vejam que atua numa especialidade das mais penosas: oncologia infantil. Desde seu estágio, envolveu-se com seus pequenos pacientes, por quem tem grande carinho. Tenho certeza de que eles encontram nela mais do que o apoio da profissional competente; vêem-na, certamente, como aquela irmã mais velha e indispensável nas horas difíceis.
     Quando nossa vocação real é atendida, o trabalho não enfada, não pesa como uma maldição. Cansativo que seja, sentimos que estamos no ofício que é nosso, que nos ocupamos com algo que nos diz respeito e que, em larga medida, nos define como sujeitos. Não é pouco; é quase tudo. É o que parece dizer o olhar franco, aberto e feliz dessa jovem enfermeira. Ela não trabalha “para” atingir algum objetivo, não trabalha “para” viver, “para” ganhar a vida. Trabalhando, ela já “é”. E isso não é invejável?

(Valentino Rodrigues)
Está inteiramente correta a pontuação da seguinte frase:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A questão se resolve pelo emprego normativo da pontuação no período composto: na alternativa C, a oração concessiva antecipada, a oração explicativa intercalada e a expressão intercalada estão pontuadas de modo regular, sem ruptura de vínculos sintáticos; por isso, ela é a única plenamente correta.

Tema central: Pontuação no período composto
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra na pontuação por dois motivos específicos: há vírgulas indevidas em "o autor, pela última vez com sua sobrinha", quebrando a ligação sintática da oração, e os dois-pontos antes de "que ela estava feliz" são inadequados, porque não se justificam entre "constatar" e a oração subordinada introduzida por "que". O conteúdo tem apoio no texto, mas a reescrita está pontuada de forma incorreta.
B
Errada
O segmento intercalado "como costuma ocorrer" não foi corretamente isolado. Pela estrutura da frase, ele deveria aparecer entre vírgulas: "Caso as pessoas, como costuma ocorrer, não calculassem...". A distribuição atual da pontuação deixa a intercalação defeituosa. Além disso, a vírgula em "poderiam fazer opções, segundo critérios..." não é o ponto que salva a frase; o erro decisivo está na falta de isolamento correto do trecho intercalado.
C
Certa
A alternativa C respeita integralmente a estrutura sintática do período. A oração subordinada adverbial concessiva inicial vem deslocada e, por isso, é corretamente seguida de vírgula. O trecho "que é a oncologia infantil" tem valor explicativo em relação a "uma especialidade penosa" e, por isso, deve ficar entre vírgulas. Além disso, "de modo algum" funciona como expressão intercalada de reforço negativo e está adequadamente isolada. Não há, nessa frase, vírgula separando sujeito de verbo, verbo de complemento ou conectivo de sua oração.
D
Errada
Há vírgula indevida antes de "por que", separando o verbo "justificar" da oração subordinada objetiva direta que ele pede: "justificar por que escolheu...". Também há vírgula indevida em "optado, pela Medicina", separando o verbo de seu complemento. A grafia de "por que" não é o problema central; o erro está na pontuação.
E
Errada
A vírgula em "aquela jovem enfermeira, parece" separa indevidamente o sujeito do verbo, o que invalida a frase. Além disso, a pontuação de "de fato" no interior do período não corrige esse erro estrutural. Mesmo que a ideia tenha apoio no texto, a organização sintática foi rompida pela vírgula entre sujeito e verbo.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de aceitar vírgulas por pausa de leitura ou por semelhança com o sentido do texto-base. Aqui, a decisão não depende da adequação semântica da reescrita, mas de verificar se a pontuação respeita ou rompe vínculos sintáticos essenciais.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro elimine as alternativas que colocam vírgula entre sujeito e verbo ou entre verbo e complemento; esse costuma ser o erro mais objetivo.
  • Quando houver oração adverbial antecipada, verifique se a vírgula que a separa da principal está corretamente empregada.
  • Se aparecer trecho explicativo ou expressão intercalada, confirme se ele está isolado por vírgulas dos dois lados, sem fraturar a estrutura principal.

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