Por que você deve voltar a usar o despertador
clássico em vez do celular?
Troquei o despertador pelo telefone cerca de 10 anos
atrás, depois de contar a alguém o que eu achava ser
uma história engraçada sobre como meu despertador
tinha tocado uma vez na minha mala enquanto estava no
porta-malas de um táxi, nos obrigando a parar para que
pudéssemos silenciá-lo. A piada causou perplexidade.
"Você realmente usa despertador?", perguntaram-me,
como se fosse um fax.
Sucumbi à pressão dos colegas e me livrei do meu
relógio antigo. E aí acabou o luxo de acordar sem
notificações e começou a miséria de olhar para elas no
meio da noite ao verificar a hora no meu telefone.
À medida que nosso uso de telefones celulares continua
a crescer (um relatório da Deloitte de 2018 descobriu que
os usuários de smartphones dos EUA verificam seus
celulares 14 bilhões de vezes por dia, acima dos 9
bilhões no mesmo relatório de 2016), especialistas em
bem-estar dizem que está tendo um impacto negativo em
nossas rotinas matinais.
"Quando você acorda pela manhã, idealmente você quer
acordar e passar um pouco de tempo dentro de sua
própria mente antes de ser bombardeado com tudo o
que está acontecendo no mundo. Dê a si mesmo a
chance de se ajustar ao mundo desperto", diz a
especialista de saúde mental e bem-estar Lily Silverton.
"Historicamente, não estamos acostumados a ser tirados
de nós tanto quanto somos hoje."
Antes dos alarmes, eram galos, sinos de igreja, aldravas
(pessoas eram pagas para acordá-lo batendo na porta
ou janela com uma vara longa, algo que acontecia até a
década de 1970 no Reino Unido industrial) e até nossas
próprias bexigas que nos colocavam para fora da cama.
Acredita-se que o relojoeiro Levi Hutchins, de Concord,
New Hampshire, tenha inventado um dos primeiros
despertadores, em 1787. Seu design só disparava uma
vez às 4 da manhã, seu horário preferido para acordar.
Pouco parece ser conhecido sobre os detalhes do
projeto real, mas ele escreveu: "O que foi difícil foi a ideia
de um relógio que pudesse soar um alarme, não a
execução da ideia. Foi a própria simplicidade de fazer o
toque da campainha."
Foi anos depois, em 1874, que o inventor francês
Antoine Redier se tornou a primeira pessoa a patentear
um despertador mecânico ajustável. E, em 1876, Seth E.
Thomas patenteou um pequeno relógio mecânico de
corda nos Estados Unidos, levando grandes relojoeiros
americanos a começarem a fabricar pequenos
despertadores. Aparentemente, os relojoeiros alemães
logo seguiram o exemplo e, no final do século 19, o
despertador elétrico foi inventado.
Hoje, os despertadores têm muitos designs. No entanto,
tudo o que eu procurava era um despertador simples,
muito parecido com o meu original. E eu comprei um na
loja de materiais de construção mais próxima por £ 8,50
(pouco mais de R$ 47,00). Na primeira noite em que o
usei, me senti estranhamente empolgado em realizar
fisicamente as configurações em vez de deslizar pela
tela. Na manhã seguinte, numa espécie de anticlímax,
acordei antes do despertador. Mas já sentia que havia
conquistado o dia, em vez de correr atrás dele.
De acordo com Silverton, "a tecnologia explora nossas
fraquezas psicológicas". E estar conectado, ela
observou, é incrível, mas terrível ao mesmo tempo.
"Trata-se de gerenciar isso e criar uma rotina que
funcione para você." Rotina que agora acho que tenho. A
reintrodução de um despertador me dá o tempo, o
espaço e a separação que meu telefone não deu.
Embora meu telefone ainda esteja ao lado da cama, a
diferença é que não é mais a primeira coisa que procuro.
Minha primeira expressão do dia não é mais xingar por
causa de um e-mail e sentir meu sangue ferver, me pego
pensando gentilmente no que eu poderia comer no café
da manhã. Isso me deu uma sensação de controle e
calma. Estranhamente, me fez sentir mais jovem, acho
que porque a experiência parece nostálgica ou talvez
porque estou dormindo melhor. E o que pode ser mais
luxuoso do que isso?
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