No segundo parágrafo, ao apresentar ações concretas, o autor...
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Ano: 2019
Banca:
FUMARC
Órgão:
Prefeitura de Pouso Alegre - MG
Provas:
FUMARC - 2019 - Prefeitura de Pouso Alegre - MG - Agente Comunitário de Saúde - ACS
|
FUMARC - 2019 - Prefeitura de Pouso Alegre - MG - Agente de Combate às Endemias - ACE |
Q4362181
Português
Texto associado
Cidadania e Solidariedade
Frei Betto
Qualquer pessoa ou instituição - movimento social, denominação religiosa,
ONG, escola, empresa, associação etc. - pode e deve promover iniciativas que
reforcem a cidadania e a solidariedade: mesas-redondas; campanhas; palestras;
mutirão que beneficie, sem assistencialismo, a população mais pobre.
Não há quem não possa fazer um gesto para promover debates em salas
de aula sobre as causas da pobreza e os entraves à melhor distribuição de renda;
introduzir na escola educação nutricional; promover exposição sobre os direitos
dos povos indígenas ou ações de combate ao trabalho e à prostituição infantis;
organizar uma horta comunitária; lutar pela melhoria da educação, do acesso a
medicamentos seguros e baratos ou abrir um curso de alfabetização de adultos;
denunciar o preconceito contra homossexuais e o uso da mulher no estímulo ao
consumismo.
É preciso mobilizar a nação em torno de ações concretas que nos permitam construir o "outro mundo possível". E priorizar, em pleno neoliberalismo que assola o Planeta, valores antagônicos ao individualismo e à competitividade, como
o são a cidadania e a solidariedade.
Não é fácil ser cidadão brasileiro. Nascemos como nação-colônia, aprendendo que o estrangeiro é sempre melhor que o nacional. Tivemos o mais longo
período de escravidão da América Latina - 350 anos!
Essa submissão atávica está entranhada em nossas veias. Basta alguém
se revestir dos símbolos do poder - riqueza, autoridade e ostentação - para ser
tratado como se fosse um ser naturalmente superior a seus semelhantes.
Cidadania rima com soberania. É preciso gostar de si próprio para conquistá-la. Ocorre que a globalização detona todos os fundamentos de nossa soberania.
O neoliberalismo nos impõe o Estado mínimo e o mercado máximo, tão
livre que paira acima das leis e da decência. As privatizações do patrimônio público
(Siderúrgica Nacional, Vale do Rio Doce, Usiminas, sistema de telefonia etc.) são
o exemplo maior de dependência de nosso país ao capital privado, em geral estrangeiro. E o que é mais grave: privatizam-se também nossos valores. Corroem
nosso espírito cidadão. Estamos ficando cada vez menos solidários, menos cooperativos, menos participantes. Até a fé religiosa é privatizada, destituída de sua
ressonância social e política. Como se Deus fosse um balcão de atendimento de
emergências e mero anabolizante de exaltações espiritualistas que não se traduzem em serviço libertador ao pobre, ao enfermo, ao excluído.
Frei Betto é escritor, autor de “Parábolas de Jesus” (Vozes), entre outros livros.
Disponível em: http://www.freibetto.org/index.php/artigos/14-artigos/128-cidadania-e-solidariedade Acesso em 03 maio 2019
No segundo parágrafo, ao apresentar ações concretas, o autor demonstra, EXCETO, que