Em pacientes adultos que apresentam inúmeras restaurações e...
I. A adoção de protocolos de flúor tópico e monitoramento radiográfico periódico auxilia na detecção precoce de lesões secundárias.
II. Alterações importantes no padrão salivar podem influenciar a velocidade de progressão da cárie, devendo integrar a avaliação preventiva.
III. As restaurações extensas, por si sós, eliminam o risco de cárie recorrente, dispensando orientações de higiene mais detalhadas.
IV. A microbiota bucal desequilibrada é fator determinante, requerendo intervenções que incluam modificação de hábitos e controle de biofilme.
Estão CORRETAS as proposições:
Gabarito comentado
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Tema central: Cárie recorrente em adultos com múltiplas restaurações e alta ingestão de açúcares. Trata-se de um quadro de alto risco, no qual prevenção, monitoramento e controle de biofilme são essenciais. Diretrizes como ICCMS/ICDAS, ADA (guidelines para manejo não restaurador) e consensos ORCA/FDI sustentam essas condutas.
Alternativa correta: B (I, II e IV)
I. Verdadeira. Flúor tópico (ex.: verniz 5% NaF, dentifrícios 1.500–5.000 ppm para alto risco) remineraliza e reduz atividade de lesões. Radiografias interproximais (bite-wings) em alto risco a cada 6–12 meses favorecem a detecção precoce de cárie secundária. Baseado em ADA CPGs (2018–2023) e ICCMS.
II. Verdadeira. Fluxo, pH tampão e capacidade remineralizante da saliva modulam a progressão de cárie. Hipossalivação (medicamentos, radioterapia, síndrome de Sjögren) acelera desmineralização, devendo integrar a avaliação preventiva com anamnese medicamentosa, testes salivares e manejo de xerostomia. Suporte: Fejerskov & Kidd; ORCA/FDI.
IV. Verdadeira. Cárie é biofilme-dependente e disbiose induzida por dieta açucarada aumenta acidogenicidade/aciduricidade (S. mutans, Lactobacillus). O manejo requer modificação de hábitos (redução de açúcares livres, frequência) e controle de biofilme mecânico-químico. Evidências: ICCMS/ICDAS, ADA, OMS para açúcares livres.
Por que as demais estão incorretas:
III. Falsa. Restaurações não eliminam risco; margens podem reter biofilme e, sem higiene orientada, dieta e flúor, ocorre cárie recorrente. O tratamento restaurador isolado não aborda a etiologia (biofilme + açúcar + tempo + saliva). Diretrizes enfatizam plano preventivo contínuo.
Análise das alternativas:
A (I e III) — incorreta porque III é falsa.
B (I, II e IV) — correta.
C (II e III) — incorreta pelo erro da III.
D (III e IV) — incorreta pelo erro da III.
Estratégia de prova: Em carieologia, desconfie de afirmações absolutas como “eliminam o risco”. Busque palavras-chave que sinalizam alto risco: “muitas restaurações”, “dieta rica em açúcares”, “saliva”. Nessas situações, lembre do tripé: flúor regular + monitoramento radiográfico periódico + controle de biofilme e dieta, além da avaliação salivar.
Dicas práticas de conduta (alto risco):
- Dentifrício 1.500–5.000 ppm F, verniz 3–4x/ano;
- Bite-wings a cada 6–12 meses;
- Orientação dietética (redução de frequência de açúcar);
- Higiene meticulosa em margens restauradas;
- Avaliar e manejar hipossalivação (hidratação, saliva substituta, revisão medicamentosa).
Referências rápidas: ADA Clinical Practice Guidelines (2018–2023); ICCMS/ICDAS; Fejerskov & Kidd, Dental Caries; Consenso ORCA/FDI; OMS – diretrizes sobre açúcares livres.
Gabarito: B
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