As expressões em destaque no trecho − Desconfio que não que...

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Q3128954 Português
       Ouço falar de escritores atemorizados, assombrados com sua própria morte. Escritores que não temem o lento definhar do corpo, não temem o desfalecer da mente num sono fatal. O que temem é um fim menor, é a morte de sua função. Sofrem com a ameaça cada vez mais concreta de que máquinas passem a realizar seu trabalho, ponham-se a escrever romances, poemas, crônicas, ensaios filosóficos. Sentem atordoados seus pobres cérebros ante a grandiosidade do cérebro eletrônico, sentem obsoletos seus caóticos neurônios em face de algoritmos bem mais ordeiros, mais eficazes.

       Esse receio já longevo e tratado em ficções demais ganhou contornos quase dramáticos nos últimos meses, desde a aparição de programas que criam textos inéditos de qualidade razoável, e da publicação dos primeiros romances de autoria eletrônica. O debate tem tomado mais de uma mesa de bar, mais de um fórum virtual, confrontando não exatamente máquinas e humanos, mas sim céticos e apocalípticos, calmos e atormentados. Os primeiros se riem da promessa descumprida, riem das precariedades da máquina, de sua absoluta inaptidão para o humor e o lirismo. Os segundos mantêm os cenhos franzidos e alertam com sabedoria: não se enganem, a máquina acaba de surgir, e há de se livrar das fraquezas em velocidade impressionante.

       De minha parte, se me permitem, prefiro permanecer desassombrado — a morte literal ainda me parece um terror mais palpável. Não que eu seja um cético, não duvido da capacidade robótica de nos abismar, confio que em pouco tempo computadores comporão obras consideráveis, e em muito tempo podem chegar a portentos literários. Mas desconfio é dos humanos: da nossa disposição de apreciar um romance bom carente de um autor, desprovido de uma figura anterior feita de carne e de sonho. Desconfio que não queiramos livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história humana, seu prazer, sua dor.


(Julián Fuks. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/
julian-fuks/2023/05/13/a-nova-morte-do-autor-substituidoagora-pelo-cerebro-eletronico.htm. Adaptado)
As expressões em destaque no trecho − Desconfio que não queiramos livros escritos sem suor e intenção, redigidos por seres insensíveis às desrazões da arte, por seres indiferentes à história humana... (3° parágrafo) – podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão aborda regência verbal e nominal e uso da crase, temas essenciais para quem se prepara para concursos – especialmente para cargos jurídicos, nos quais a escrita precisa seguir rigorosamente a norma-padrão.

Justificativa da alternativa correta (A):

1. "Visemos a": O verbo visar, no sentido de "almejar", é transitivo indireto e exige a preposição 'a' (visar a um cargo público). Portanto, “visemos a” está de acordo com a regência.

2. "Alheios às": O adjetivo alheio exige a preposição 'a' e concorda em gênero e número com o termo seguinte. “alheios às desrazões” é o uso correto (preposição + artigo = crase).

3. "Que menosprezam a": O verbo menosprezar é transitivo direto e não exige preposição. O correto é “menosprezam a história humana”, sem crase.

Análise das alternativas incorretas:

B) “aspiremos à” (erro de crase, pois “aspirar” exige apenas preposição “a”, sem crase), “apartados nas” (erro de regência – o correto é “apartados das”), “que ignoram à” (erro de crase – “ignorar” é transitivo direto).

C) “alheios as” (faltou crase: deveria ser “às”), “que desconhecem à” (crase indevida; “desconhecer” é transitivo direto).

D) “visemos à” (erro de crase; neste sentido do verbo, não existe crase), “apartados das” (correto), “que ignoram a” (correto quanto ao verbo, mas errou anteriormente).

E) “almejemos a” (almejar é transitivo direto; não pede preposição), “alheios das” (erro de regência; correto é “alheios às”), “que menosprezam à” (erro de crase; verbo é transitivo direto).

Orientações para provas:

1) Atenção à regência dos verbos e adjetivos: Consulte sempre a valência na sua preparação.
2) O uso de crase depende do encontro da preposição “a” exigida pelo termo regente com o artigo “a” do termo regido.
3) Lembre que verbos como “ignorar”, “menosprezar” e “desconhecer” são transitivos diretos – nunca use crase após eles.

Referências: Cunha & Cintra; Bechara; Rocha Lima.

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Comentários

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A

Dá para fazer por eliminação: B) não pode ser porque 'ignoram à' não existe... ignorar não pede crase...

E) não pode porque ficaria 'alheios das', não seria certo eu acho.

Depois é analisar as crases nas palavras sugeridas, assim cheguei na A)...

Gaba. A

Caros colegas, pensei da seguinte maneira, me corrijam se eu estiver errado!

"...queiramos livros..."

quem quer, quer alguma coisa, quer livros

Livros é o plural da palavra livro que é uma palavra masculina (O livro), logo não pode crase antes de palavras masculinas (eliminei B e D)

Depois fui para o terceiro grifado e olhei as alternativas para analisar a regência

C) quem desconhece, desconhece algo ou alguém (VTD)

E) quem menospreza, menospreza algo ou alguém (VTD)

Ambos não podem possuir crase (eliminei C e E)

GABARITO: A.

1) "Desconfio que não visemos a livros escritos sem suor e intenção" => O verbo "visar" é transitivo indireto e exige regência de preposição "a". No trecho, caso utilizado da maneira descrita, não altera o sentido da oração;

2) "redigidos por seres alheios às desrazões da arte" => O adjetivo "alheio", nesse trecho, marca um caso de regência nominal. Quem é alheio, é alheio a algo/alguma coisa. O "a" [preposição de regência nominal do adjetivo] + "a" [artigo definido relacionado ao substantivo "desrazões"] justifica o uso da crase. Seu emprego não altera o sentido da oração;

3) "por seres que menosprezam a história humana" => O verbo "menosprezar" é transitivo direto e, por isso, não exige regência de preposição "a". No trecho referenciado, o "a" é apenas o artigo definido de "história", não sendo, pois, marcado pelo acento grave. Seu emprego não altera o sentido da oração.

q questãozinha hein

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