Mulher, 39 anos, é atendida pelo SAMU por rebaixamento progr...

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Q3948510 Medicina

Mulher, 39 anos, é atendida pelo SAMU por rebaixamento progressivo do nível de consciência, agitação alternando com sonolência e episódios de vômitos. Segundo familiares, apresenta perda ponderal importante nos últimos meses, intolerância ao calor e insônia, porém sem diagnóstico médico formal. Há 48 horas, evoluiu com febre, diarreia aquosa e palpitações intensas. Ao exame: confusa, pele quente, úmida, sudoreica. Tremor fino de extremidades. Temperatura: 40,1 °C, FC: 168 bpm, PA: 150 × 86 mmHg. Ausculta cardíaca: ritmo irregular. Abdome: ruídos aumentados, sem dor à palpação. Glicemia capilar: 132 mg/dL. ECG no monitor: fibrilação atrial com resposta ventricular rápida.


Durante o transporte, a equipe considera hipóteses diagnósticas e discute condutas iniciais. Com base no quadro apresentado, assinale a alternativa que CORRETAMENTE identifica o diagnóstico mais provável, a conduta adequada no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) e a sequência terapêutica correta no hospital. 

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O caso é de crise tireotóxica, sugerida pela combinação de hipertireoidismo prévio não diagnosticado, hipertermia, alteração do sensório, fibrilação atrial com resposta ventricular rápida, tremor fino e sintomas gastrointestinais; isso determina, no APH, suporte e controle adrenérgico, e no hospital a sequência correta antitireoidiano antes do iodo, com corticosteroide como adjuvante.

Tema central: Crise tireotóxica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o quadro não sustenta síndrome neuroléptica maligna como hipótese principal. Faltam o contexto farmacológico típico com antagonista dopaminérgico e a rigidez muscular importante, enquanto sobram elementos de tireotoxicose grave: perda ponderal, intolerância ao calor, tremor fino, diarreia e fibrilação atrial. Dantrolene não é a conduta dirigida ao quadro descrito.
B
Errada
Está errada porque sepse grave de foco abdominal não é o diagnóstico mais provável com os dados fornecidos. O abdome não tem dor à palpação, não há foco abdominal definido, e o padrão dominante é de tempestade tireoidiana com hipertermia, disfunção neurológica, taquiarritmia e sinais prévios de hipertireoidismo. Infecção pode ser fator precipitante, mas isso não transforma o quadro principal em sepse abdominal.
C
Errada
Está errada porque síndrome serotoninérgica exige contexto de exposição serotoninérgica e costuma cursar com sinais neuromusculares característicos, como hiperreflexia e clônus, ausentes na descrição. Em contraste, o enunciado traz história e achados muito mais compatíveis com hipertireoidismo descompensado, incluindo tremor fino, intolerância ao calor, perda ponderal e fibrilação atrial.
D
Errada
Está errada porque, embora reconheça o diagnóstico, inverte a sequência terapêutica hospitalar. Na crise tireotóxica, o iodo não deve ser administrado antes da droga antitireoidiana, pois primeiro é necessário bloquear a síntese hormonal com tionamida; só depois se usa iodo para bloquear a liberação hormonal. Dar iodo imediatamente é a falha decisiva dessa alternativa.
E
Certa
A alternativa identifica corretamente uma descompensação tireotóxica grave. O enunciado reúne sinais típicos: perda ponderal, intolerância ao calor e insônia sugerindo hipertireoidismo prévio, além de febre alta, confusão, tremor fino, diarreia, vômitos e fibrilação atrial com resposta ventricular rápida. No APH, a prioridade é estabilização com suporte clínico, monitorização, resfriamento e controle adrenérgico com betabloqueador quando não houver contraindicação. No hospital, a ordem correta é primeiro a tionamida para bloquear nova síntese hormonal, depois o iodo para bloquear liberação hormonal, e corticosteroide como medida adjuvante por reduzir a conversão periférica de T4 em T3 e cobrir possível insuficiência adrenal relativa.
Pegadinha da questão
A banca misturou sinais de síndrome hipermetabólica e possível gatilho infeccioso para induzir confusão com sepse ou síndromes tóxico-farmacológicas, mas o verdadeiro ponto decisivo era reconhecer os sinais prévios de hipertireoidismo e não inverter a ordem entre antitireoidiano e iodo.
Dica para questões semelhantes
  • Quando houver febre alta, alteração do sensório, taquiarritmia e sintomas prévios de hipertireoidismo, pense primeiro em crise tireotóxica.
  • Fibrilação atrial com resposta ventricular rápida reforça fortemente tireotoxicose grave nesse contexto.
  • Na sequência hospitalar, memorize o critério fisiopatológico: primeiro bloqueia a síntese com tionamida, depois bloqueia a liberação com iodo.
  • No APH, a prioridade não é fechar toda a etiologia, e sim suporte, resfriamento, monitorização e controle adrenérgico quando possível.

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