Homem, 41 anos, previamente hígido, é atendido pelo SAMU apó...

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Q3948507 Medicina

Homem, 41 anos, previamente hígido, é atendido pelo SAMU após episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada iniciado há cerca de 7 minutos, sem recuperação do nível de consciência entre os eventos. Familiares relatam que o paciente apresentou uma crise inicial seguida, após breve intervalo, de novos episódios convulsivos contínuos. Ao exame: inconsciente, Glasgow 7 (E1 V2 M4), FR: 10 irpm, respiração irregular, FC: 122 bpm, PA: 146 × 92 mmHg. SpO₂: 88% em ar ambiente. Pupilas isocóricas e fotorreagentes. Movimentos tônico-clônicos generalizados persistentes. Glicemia capilar: 96 mg/dL. A equipe realiza oxigenoterapia, monitorização cardiorrespiratória e acesso venoso periférico calibroso.


Considerando o quadro clínico apresentado, é CORRETO afirmar sobre o diagnóstico, o reconhecimento do estado de mal epiléptico e a conduta adequada nas fases pré-hospitalar e hospitalar inicial, de acordo com diretrizes atuais, que:

Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Pelo critério operacional da ILAE 2015, crise tônico-clônica generalizada com mais de 5 minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência já define estado de mal epiléptico convulsivo; como o enunciado traz 7 minutos de convulsão e ausência de recuperação intercrítica, a conduta não deve esperar 30 minutos: após suporte inicial, a primeira linha no APH é benzodiazepínico EV ou IM, seguido no hospital por antiepiléptico de segunda linha/carga, conforme a diretriz da American Epilepsy Society 2016.

Tema central: Estado de mal convulsivo
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque transforma um efeito adverso possível em motivo para omitir a terapia de primeira linha. No estado de mal epiléptico convulsivo, benzodiazepínico deve ser administrado precocemente após estabilização inicial. O risco de depressão respiratória exige monitorização, oxigênio e preparo de suporte ventilatório, mas não justifica evitar a droga, até porque a própria crise prolongada já está causando respiração irregular e hipoxemia.
B
Errada
Errada porque usa o marco antigo de 30 minutos como se fosse critério atual de reconhecimento. Pela ILAE 2015, o tempo operacional para crise tônico-clônica generalizada é 5 minutos, e também configura estado de mal a recorrência sem recuperação da consciência entre crises. Portanto, o quadro já deve ser tratado como estado de mal epiléptico convulsivo, e aguardar cessação espontânea é conduta inadequada.
C
Errada
Errada porque coloca fenitoína como primeira linha no APH, o que contraria a sequência terapêutica da diretriz. Fenitoína/fosfenitoína pertencem à etapa subsequente, após benzodiazepínico, ou ao manejo do estado estabelecido se a crise persistir. Além disso, a base destaca que benzodiazepínico é a classe com ação mais rápida e melhor evidência para interromper imediatamente a convulsão em curso.
D
Certa
A alternativa D é a única que acerta simultaneamente o diagnóstico e a sequência terapêutica. O quadro já é estado de mal epiléptico convulsivo porque há convulsão generalizada em curso há cerca de 7 minutos e sem recuperação do nível de consciência entre os eventos. Nessa situação, as diretrizes citadas na base determinam reconhecimento precoce e tratamento imediato, sem aguardar 30 minutos. As medidas de suporte já iniciadas são corretas, mas devem ocorrer em paralelo ao controle da crise. O fármaco de primeira linha é benzodiazepínico, por início de ação rápido e melhor evidência para abortar a atividade convulsiva em curso no cenário pré-hospitalar, por via EV se acesso estiver disponível ou IM se não houver acesso imediato. Depois, no hospital, entra a etapa de antiepiléptico de segunda linha/carga para controle do estado estabelecido e prevenção de recorrência.
E
Errada
Errada porque rebaixa indevidamente o quadro a crise isolada prolongada. O enunciado mostra persistência de movimentos tônico-clônicos e ausência de recuperação da consciência entre eventos, o que caracteriza estado de mal epiléptico convulsivo. Suporte ventilatório e transporte são necessários, mas são insuficientes se não houver tratamento anticonvulsivante imediato.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões clássicas: usar 30 minutos como limiar para reconhecer estado de mal epiléptico e achar que suporte ventilatório substitui o benzodiazepínico ou que o risco respiratório autoriza adiar a primeira linha.
Dica para questões semelhantes
  • Em convulsão tônico-clônica generalizada, pense em estado de mal epiléptico a partir de 5 minutos ou antes disso se houver crises repetidas sem recuperação da consciência.
  • No algoritmo inicial, suporte ABC e anticonvulsivante não são etapas excludentes: acontecem em paralelo.
  • A primeira droga é benzodiazepínico; fenitoína, fosfenitoína, valproato ou levetiracetam entram na etapa seguinte.
  • Se a alternativa exigir esperar 30 minutos para tratar, ela contraria a definição operacional atual da ILAE.

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