Mulher, 60 anos, é atendida pelo SAMU após episódio de mal-e...

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Q3948502 Medicina

Mulher, 60 anos, é atendida pelo SAMU após episódio de mal-estar súbito, associado à dispneia progressiva e desconforto torácico inespecífico, iniciados há cerca de 2 horas. Relata tontura e sensação de desmaio, sem perda da consciência. Antecedentes de hipertensão arterial, varizes de membros inferiores e viagem rodoviária prolongada (10 horas) há 5 dias. Ao exame: consciente, ansiosa. Sinais vitais: FC= 108 bpm; PA: 104 × 66 mmHg; FR: 24 irpm; SpO₂: 90% em ar ambiente. Ausculta pulmonar: sem alterações. Ausculta cardíaca: bulhas normais, B2 discretamente hiperfonética. Extremidades: sem alterações. Monitor cardíaco: taquicardia sinusal. ECG: inversão de onda T em V1–V3. Durante o atendimento, após oxigênio suplementar (4 L/min), a paciente evolui com queda da pressão arterial para 88 × 54 mmHg, mantendo taquicardia.


Considerando o cenário clínico e as possibilidades diagnósticas e terapêuticas no Atendimento Pré-Hospitalar (APH), qual é a melhor interpretação e conduta?

Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer suspeita de tromboembolismo pulmonar agudo no APH com instabilidade hemodinâmica: dispneia súbita, hipoxemia, taquicardia, fatores de risco tromboembólicos, ausculta pulmonar sem alterações, sinais de sobrecarga de ventrículo direito e queda da PA tornam essa a hipótese principal e afastam observação simples ou condutas para outras etiologias.

Tema central: TEP no APH
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque síncope vasovagal por ansiedade não explica o conjunto sindrômico: hipoxemia, taquicardia persistente, taquipneia, fatores de risco tromboembólicos, ECG com padrão compatível com strain de ventrículo direito, B2 hiperfonética e piora para hipotensão. O quadro é de emergência cardiorrespiratória potencialmente obstrutiva, não de episódio neurocardiogênico benigno para observação simples.
B
Errada
Está errada porque a interpretação como SCA sem supra não acomoda melhor o quadro do que TEP. A inversão de T em V1-V3 pode ocorrer em isquemia, mas neste contexto também é compatível com sobrecarga aguda de ventrículo direito. Pesam a favor de TEP a dispneia predominante, a hipoxemia, a ausculta pulmonar normal, os fatores tromboembólicos e a B2 hiperfonética. Além disso, a queda da pressão arterial torna inadequado o transporte não prioritário, independentemente da hipótese diagnóstica.
C
Certa
A alternativa C é a única que integra corretamente a alta probabilidade clínica de TEP, os sinais de cor pulmonale agudo/sobrecarga de ventrículo direito e a piora hemodinâmica durante o atendimento. A fisiopatologia do TEP grave explica hipoxemia, taquicardia, desconforto torácico e hipotensão por aumento agudo da resistência vascular pulmonar e falência do ventrículo direito. No APH, a conduta adequada é priorizar oxigenação, monitorização, suporte hemodinâmico com volume cauteloso e remoção imediata para serviço apto a confirmar o diagnóstico e realizar reperfusão quando indicada. A menção a 'risco intermediário-alto' é terminologicamente imprecisa diante da hipotensão, que é mais compatível com TEP de alto risco; ainda assim, entre as alternativas, esta é a única que traz interpretação e conduta compatíveis com o caso.
D
Errada
Está errada porque pneumonia atípica não justifica de forma coerente início súbito, hipotensão precoce e sinais de sobrecarga de ventrículo direito. Faltam achados de processo parenquimatoso pulmonar, como alterações auscultatórias, e o exame pulmonar normal é compatível com TEP. Os fatores de risco tromboembólicos reforçam etiologia embólica, não infecciosa.
E
Errada
Está errada porque disfunção ventricular esquerda aguda esperaria sinais de congestão pulmonar ou sobrecarga esquerda, ausentes no caso. A ausculta pulmonar sem alterações e os achados de sobrecarga direita apontam contra edema agudo cardiogênico. Além disso, nitrato e diurético em paciente já hipotensa podem piorar a perfusão e não tratam a causa provável nesse cenário.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler a inversão de T em V1-V3 como SCA e ignorar que, associada a dispneia súbita, hipoxemia, ausculta pulmonar normal, fatores tromboembólicos e hipotensão, ela sustenta strain de ventrículo direito por TEP.
Dica para questões semelhantes
  • Em dispneia súbita com hipoxemia, taquicardia e exame pulmonar pouco exuberante, procure ativamente fatores de risco tromboembólicos e pense em TEP.
  • B2 hiperfonética e inversão de T em V1-V3, no contexto certo, apoiam sobrecarga aguda de ventrículo direito e não obrigam diagnóstico de SCA.
  • No APH, hipotensão em suspeita de TEP muda a prioridade para suporte e transporte imediato; não cabe observação simples nem remoção não prioritária.
  • Em suspeita de TEP grave, reposição volêmica deve ser cautelosa, porque excesso de volume pode piorar a falência do ventrículo direito.

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