O Brasil assiste a uma escalada de violência nas escolas, segundo levantamento publicado na revista Pesquisa
Fapesp, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo. A conclusão, perturbadora, decorre dos registros
oficiais de incidentes num período de dez anos, com dados
do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania: em
2013, foram registradas 3,7 mil vítimas de violência interpessoal nas escolas, incluindo estudantes, professores e outros
membros da comunidade escolar; em 2023, esse número
subiu para 13,1 mil.
Números como esses ajudam a modular a sensação de
medo, insegurança e impotência de pais, alunos, professores e profissionais em geral que atuam com ensino, infância
e adolescência. Também são essenciais para pavimentar o
caminho da busca de soluções preventivas, incluindo melhor
qualificação na identificação de comportamentos e sinais
que possam levar a práticas violentas. Revelam-se igualmente relevantes no despertar de autoridades para o sentido
de urgência por um maior preparo do País para enfrentar a
violência dentro das escolas e em seu entorno. E se transformam, por fim, num elemento a mais de alerta para um
público já em sobressalto – o que explica a impressionante
repercussão de obras como A geração ansiosa, que detalha
os efeitos nefastos do mundo hiperconectado para a saúde
mental dos jovens, ou a minissérie Adolescência, que se tornou a mais vista na plataforma Netflix ao gerar debates sobre
temas como ódio online, machismo e o impacto de discursos
radicais em adolescentes.
Convém cautela, contudo, para não espalhar brasas
onde já existe fogo. Se, por um lado, a arte e os números
servem para reduzir o abismo existente entre dois mundos
– o dos adultos e dos adolescentes – e, sobretudo, não deixar que a inércia, a incerteza e o desconhecimento deixem
prosperar a ideia de que a escola é lugar de perigos e não
de aprendizagem e convivência, por outro lado, o risco é
de que um caldeirão de conclusões simplificadoras termine por produzir uma espécie de pânico moral, como são
chamadas as reações desproporcionais a problemas vistos
como ameaça à ordem social.
Antes, portanto, de inspirar medo generalizado e medidas
drásticas – como vigilância e punitivismo em excesso –, os
estudos e os debates deles decorrentes precisam fortalecer
diagnósticos e soluções baseados em evidências. Assim como
os problemas têm natureza múltipla, as respostas também
implicam uma soma de complexidades e ações intersetoriais
que não comportam vaticínios simplistas. Mas, com ou sem
excessos, há pelo menos uma grande certeza: o País não pode
ignorar o debate do que fazer com a escola e seus jovens.
(O Estado de S.Paulo, Editorial, 24.04.2025. Adaptado)
De acordo com Ingedore Koch (Desvendando os segredos do texto, 2018), “as formas nominais referenciais
constituem recursos coesivos dos mais produtivos na
construção da textualidade, podendo funcionar tanto
como anafóricas, quanto como catafóricas”.
O último caso citado pela autora pode ser constatado na
seguinte passagem:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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