Um terreno situado em área urbana de um município brasileir...
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Gabarito comentado
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Gabarito: E
Fundamento decisivo: Lei nº 10.257/2001 (Estatuto da Cidade), art. 28, caput: "O plano diretor poderá fixar áreas nas quais o direito de construir poderá ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico adotado, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário." E art. 28, § 3º: "O plano diretor definirá os limites máximos a serem atingidos pelos coeficientes de aproveitamento, considerando a proporcionalidade entre a infra-estrutura existente e o aumento de densidade esperado em cada área." No caso, o terreno tem 2.000 m², o coeficiente básico é 1 e o máximo é 3, de modo que, sem outorga, a área edificável é 2.000 m²; com outorga, alcança 6.000 m².
- Em cálculo de área máxima edificável, identifique primeiro se a pergunta é sem outorga ou com outorga: sem outorga, use o coeficiente básico; com outorga, use o coeficiente máximo.
- Não use o coeficiente mínimo para encontrar o teto construtivo do lote, salvo se a própria questão der outro comando normativo específico, o que não ocorreu aqui.
- Quando o enunciado mencionar outorga onerosa do direito de construir, confira se o plano diretor fixou coeficiente máximo, porque é ele que delimita o aumento possível.
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Direito Urbanístico; Plano Diretor; Coeficiente de Aproveitamento
GABARITO: E
O CA é a relação entre a área que pode ser construída e a área do terreno:
CA = Área Construída / Área do Terreno
O Plano Diretor, com base no Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001), costuma fixar três coeficientes para cada zona:
- CA mínimo: abaixo dele, o imóvel é considerado subutilizado (não tem relação direta com a construção máxima permitida). Serve para identificar imóveis sujeitos a instrumentos indutores do uso do solo, como parcelamento, edificação ou utilização compulsórios, IPTU progressivo no tempo e desapropriação-sanção.
- CA básico: é o potencial construtivo que o proprietário já tem gratuitamente, apenas por ser dono do terreno — não precisa pagar nada ao município para construir até esse limite.
- CA máximo: é o teto de construção permitido na zona, mas para construir acima do básico e até o máximo, o proprietário precisa pagar contrapartida ao município — é aí que entra a outorga onerosa do direito de construir (arts. 28 a 31 do Estatuto da Cidade).
Terreno: 2.000 m²
(I) Sem outorga onerosa → usa-se o CA básico:
2000M² X 1 = 2000M²
Esse é o potencial construtivo "de graça", que todo proprietário tem direito automaticamente.
(II) Com outorga onerosa → usa-se o CA máximo:
2000M² X 3 = 6000M²
Mas atenção: isso não significa que os 6.000 m² inteiros são "comprados". Na prática, o proprietário:
- constrói os primeiros 2.000 m² de graça (CA básico), e
- paga contrapartida financeira ao município pela diferença entre o básico e o que efetivamente for construir, até o limite do máximo — ou seja, paga pela outorga dos 4.000 m² adicionais (a diferença entre CA máximo e CA básico: 3 − 1 = 2, logo 2 × 2.000 m² = 4.000 m²).
Ele é um dado "pegadinha" da questão: serve para outra finalidade (detectar subutilização do solo urbano), não para calcular potencial construtivo máximo. Se o proprietário construísse abaixo de 0,4 × 2.000 = 800 m², o imóvel poderia ser enquadrado como subutilizado e sujeito às sanções urbanísticas do Estatuto da Cidade.
Situação Coeficiente usado Cálculo Resultado I – Sem outorga CA básico = 1 -> 2.000 × 1 2.000 m²; II – Com outorga CA máximo = 3-> 2.000 × 3 6.000 m²
Portanto, a afirmativa está correta: I = 2.000 m² e II = 6.000 m².
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