A regra que obsta o emprego do acento grave no “a” de: “diri...

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Q418678 Português

        O recente interesse na regulamentação da astrologia como profissão oferece a oportunidade de refletir sobre questões que vão desde as raízes históricas da ciência até a percepção, infelizmente muito popular, de seu dogmatismo. Preocupa-me, e imagino que a muitos dos colegas cientistas, a rotulação do cientista como um sujeito inflexível, bitolado, que só sabe pensar dentro dos preceitos da ciência. Ela vem justamente do desconhecimento sobre como funciona a ciência. Talvez esteja aqui a raiz de tanta confusão e desentendimento.

        Longe dos cientistas achar que a ciência é o único modo de conhecer o mundo e as pessoas, ou que a ciência está sempre certa. Muito ao contrário, seria absurdo não dar lugar às artes, aos mitos e às religiões como instrumentos complementares de conhecimento, expressões de como o mundo é visto por pessoas e culturas muito diversas entre si.

        Um mundo sem esse tipo de conhecimento não científico seria um mundo menor e, na minha opinião, insuportável. O que existe é uma distinção entre as várias formas de conhecimento, distinção baseada no método pertinente a cada uma delas. A confusão começa quando uma tenta entrar no território da outra, e os métodos passam a ser usados fora de seus contextos.

        Portanto, é (ou deveria ser) inútil criticar a astrologia por ela não ser ciência, pois ela não é. Ela é uma outra forma de conhecimento. [...]

        Essa caracterização da astrologia como não ciência não é devida ao dogmatismo dos cientistas.É importante lembrar que, para a ciência progredir, dúvida e erro são fundamentais. Teorias não nascem prontas,mas são refinadas como passar do tempo, a partir da comparação constante com dados. Erros são consertados, e, aos poucos, chega-se a um resultado aceito pela comunidade científica.

        A ciência pode ser apresentada como um modelo de democracia: não existe o dono da verdade, ao menos a longo prazo. (Modismos, claro, existem sempre.) Todos podem ter uma opinião, que será sujeita ao escrutínio dos colegas e provada ou não. E isso tudo ocorre independentemente de raça, religião ou ideologia. Portanto, se cientistas vão contra alguma coisa, eles não vão como donos da verdade, mas com o mesmo ceticismo quecaracteriza a sua atitude com relação aos próprios colegas. Por outro lado, eles devem ir dispostos a mudar de opinião, caso as provas sejam irrefutáveis.

         Será necessário definir a astrologia? Afinal, qualquer definição necessariamente limita. Se popularidade é medida de importância, existem muito mais astrólogos do que astrônomos. Isso porque a astrologia lida com questões de relevância imediata na vida de cada um, tendo um papel emocional que a astronomia jamais poderia (ou deveria) suprir.

         A astrologia está conosco há 4.000 anos e não irá embora. E nem acho que deveria. Ela faz parte da história das ideias, foi fundamental no desenvolvimento da astronomia e é testemunha da necessidade coletiva de conhecer melhor a nós mesmos e os que nos cercam. De minha parte, acho que viver com a dúvida pode ser muito mais difícil, mas é muito mais gratificante. Se erramos por não saber, ao menos aprendemos com os nossos erros e, com isso, crescemos como indivíduos. Afinal, nós somos produtos de nossas escolhas, inspiradas ou não pelos astros.

(GLEISER, Marcelo. Folha de São Paulo, 22 set. 2002)


A regra que obsta o emprego do acento grave no “a” de: “dirigimo-nos A Vossa Senhoria” é a mesma que orienta o autor a não usá-lo em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O tema é uso da crase, especialmente em contextos com pronomes de tratamento e pronomes pessoais, assunto recorrente em provas de concursos, principalmente para cargos que exigem o domínio da norma-padrão como o de Comunicador Social - Jornalismo.

Regra fundamental: Segundo as gramáticas normativas (Evanildo Bechara; Cunha & Cintra), não ocorre crase antes de pronomes pessoais, de tratamento (exceto senhora, senhorita, dona) e pronomes indefinidos, porque normalmente não se usa artigo feminino nessas situações. Também não se utiliza crase antes de palavras masculinas.

Alternativa correta: D
“e é testemunha da necessidade coletiva de conhecer melhor A nós mesmos

Justificativa: O termo “nós” é um pronome pessoal do caso reto. Pelas regras, não há crase antes de pronomes pessoais. Assim, mesmo com a preposição exigida pelo verbo “conhecer”, não ocorre a fusão preposição + artigo;

Análise das alternativas incorretas

A: “até A percepção [...] de seu dogmatismo”
Aqui, a palavra “percepção” é um substantivo feminino que pode receber artigo. Portanto, cabe a fusão de preposição + artigo, resultando em à percepção (com crase).

B: “A partir da comparação [...]”
“A partir de” é uma locução prepositiva já consolidada. O “a” aqui é apenas preposição, não cabe crase. A mesma lógica não se aplica ao caso do enunciado, pois lá temos pronome pessoal; na locução, não há artigo feminino.

C: “chega-se A um resultado
“Um resultado” começa com artigo indefinido masculino. Crase não ocorre antes de palavras masculinas.

Dica de prova: Sempre que encontrar pronomes pessoais depois de preposição “a”, NÃO use crase! Isso elimina rapidamente opções em questões objetivas.

Resumo da estratégia: Leia atentamente o termo seguinte ao “a”: se for pronome pessoal, de tratamento (não iniciado por “senhora”, “senhorita” ou “dona”), ou palavra masculina, não há crase.

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Comentários

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Não há crase antes de pronomes de tratamento: "vossa senhoria" e "nós". Assim, a alternativa "d" é a correta!

No entanto, a regra não se aplica aos seguintes pronomes de tratamento: senhora, senhorita dona.

mas... "nós" não é pronome de tratamento.

Proibições:

 - antes de palavras masculinas (a + o)
 - antes de verbos (não admite artigo)
 - antes de pronomes de tratamento (exceto senhora e senhorita, pois são femininos; Vossa Excelência não precisa de artigo, por exemplo)
 - antes de pronomes demonstrativos (não admitem artigo)
 - antes de pronomes pessoais, retos, e oblíquos (não admite artigo - seria por essa lógica)
 - antes de artigos e pronomes indefinidos (pois artigo definido precede palavras definidas)
 - entre palavras repetidas (ex.: cara-a-cara)
 - quando aparece "a", no singular, antes de plural ("Eu me referi a pessoas do séc. XX" - pois nesse caso, são pessoas em geral, ninguém em particular)

"SENHORA, SENHORITA E DONA" são exceções. 

GABARITO: LETRA D

ACRESCENTANDO:

Tudo o que você precisa para acertar qualquer questão de CRASE:

I - CASOS PROIBIDOS: (são 15)

1→ Antes de palavra masculina

2→ Antes artigo indefinido (Um(ns)/Uma(s))

3→ Entre expressões c/ palavras repetidas

4→ Antes de verbos

5→ Prep. + Palavra plural

6→ Antes de numeral cardinal (*horas)

7→ Nome feminino completo

8→ Antes de Prep. (*Até)

9→ Em sujeito

10→ Obj. Direito

11→ Antes de Dona + Nome próprio (*posse/*figurado)

12→ Antes pronome pessoal

13→ Antes pronome de tratamento (*senhora/senhorita/própria/outra)

14→ Antes pronome indefinido

15→ Antes Pronome demonstrativo(*Aquele/aquela/aquilo)

II - CASOS ESPECIAIS: (são7)

1→ Casa/Terra/Distância – C/ especificador – Crase

2→ Antes de QUE e DE → qnd “A” = Aquela ou Palavra Feminina

3→ à qual/ às quais → Consequente → Prep. (a)

4→ Topônimos (gosto de/da_____)

a) Feminino – C/ crase

b) Neutro – S/ Crase

c) Neutro Especificado – C/ Crase

5→ Paralelismo

6→ Mudança de sentido (saiu a(`) francesa)

7→ Loc. Adverbiais de Instrumento (em geral c/ crase)

III – CASOS FACULTATIVOS (são 3):

1→ Pron. Possessivo Feminino Sing. + Ñ subentender/substituir palavra feminina

2→ Após Até

3→ Antes de nome feminino s/ especificador

IV – CASOS OBRIGATÓRIOS (são 5):

1→ Prep. “A” + Artigo “a”

2→ Prep. + Aquele/Aquela/Aquilo

3→ Loc. Adverbiais Feminina

4→ Antes de horas (pode está subentendida)

5→ A moda de / A maneira de (pode está subentendida)

FONTE: Português Descomplicado. Professora Flávia Rita

 

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