A partir do texto, é possível identificar uma intersecciona...
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Ano: 2025
Banca:
FAC-FEA
Órgão:
FEA - SP
Provas:
FAC-FEA - 2025 - FEA - SP - Auxiliar de Biblioteca
|
FAC-FEA - 2025 - FEA - SP - Auxiliar Administrativo |
Q4382784
Sociologia
Texto associado
Leia atentamente o trecho da reportagem
abaixo para responder à questão.
Racismo ambiental: gênero, etnicidade e
mudanças climáticas
Os impactos da crise do clima não são neutros
e atingem mais determinados
países e segmentos da população
O deslocamento de pessoas por
desastres ambientais é uma das
consequências mais devastadoras do
momento presente e tem atingido
comunidades inteiras em decorrência de seus
impactos. Sob uma perspectiva global, a
Organização das Nações Unidas (ONU), ao
celebrar a COP26, apontou que as mulheres
são as mais afetadas pela crise climática que
também se configura como uma crise
humanitária. Segundo a ONU, 80% das
pessoas forçadas a cruzar fronteiras devido a
desastres e mudanças climáticas são mulheres
e crianças.
Portanto, os impactos dessa crise não
são neutros. Mulheres e meninas enfrentam
riscos cada vez mais sérios e podem, em
algumas circunstâncias, precisar de proteção
internacional.
Países em desenvolvimento ou
emergentes no processo econômico e social
são os mais impactados pela crise climática,
desastres ambientais e conflitos civis e
armados por recursos naturais – a garantia de
água, comida e combustível para as famílias
em grande parte é condicionada,
estruturalmente, às mulheres, situação essa
que pode ser mais complexa durante
enchentes e secas, por exemplo. Uma vez que
as mulheres precisam ir mais longe para
coletar comida e água, ficam mais expostas a
diferentes tipos de violência, incluindo abuso e
violência sexual.
No Brasil, as catástrofes impulsionadas
pelas mudanças climáticas, como as
enchentes, inundações e os deslizamentos de
terra ocorridos no início deste ano,
especificamente nos estados da Bahia, Minas
Gerais, Rio de Janeiro (Petrópolis) e
Pernambuco, têm se tornado cada vez mais
frequentes. E as pessoas mais afetadas têm
sempre o mesmo gênero e cor.
Esse fato ocorre, principalmente,
porque o processo de desenvolvimento das
cidades carrega em si mesmo uma lógica
desigual, expulsando as populações
minorizadas das zonas mais seguras para as
áreas de risco. Estruturando toda uma omissão histórica por parte dos Estados na
construção de políticas públicas que priorizem
o direito das mulheres e um caminho para a
justiça ambiental e racial.
Conforme apontam os dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), dos lares chefiados por apenas uma
pessoa no país, sem cônjuge, e com filho(s)
de até 14 anos, 54% encontram-se abaixo da
linha da pobreza. Dessas famílias, 63% são
chefiadas por mulheres pretas ou pardas e
que habitam periferias das cidades.
Para se ter uma ideia, das pessoas
entrevistadas para o desenvolvimento da linha
de base do projeto Resposta Emergencial
Bahia e Minas Gerais, da rede Cáritas, 78,69%
eram mulheres. O dado aponta que esse
grupo foi o mais atingido pelos efeitos das
fortes chuvas do final de 2021 e início de2022
nesses estados.
A atividade mineradora no país também
escancara sua face mais perversa, com
rompimentos de barragem de rejeitos de
grandes proporções, com casos mais
emblemáticos em Minas Gerais(Rompimento
da barragem de Fundão da Samarco/Vale/BHP,
2015, Mariana; Rompimento da barragem da
Vale S.A, 2019, Brumadinho) e no Pará
(Rompimento da barragem da Hydro Alunorte,
2018, Barcarena).
Os rompimentos de barragens são
exemplos reais que demonstram como
projetos desenvolvimentistas – seja por meio
da mineração, do agronegócio ou das
hidrelétricas – têm se mostrado danosos e
prejudiciais, especialmente, para populações
racializadas – pessoas negras, indígenas
equilombolas e comunidades tradicionais – já
que são seus territórios os alvos mais
recorrentes das empreitadas transnacionais.
Acirrando as desigualdades ambientais e
exclusão fundiária, bem como o contexto de
violência racial e de gênero no país [...].
(COMISSÃO DE GÊNERO E GT ANTIRRACISTA DA
CÁRITAS BRASILEIRA. Racismo ambiental: gênero,
etnicidade e mudanças climáticas (fragmento).
Disponível em:
https://www.brasildefato.com.br/2022/12/04/racismoambiental-genero-etnicidade-e-mudancas-climaticas.
Acesso em: 20 jun. 2025.)
A partir do texto, é possível identificar
uma interseccionalidade entre crise climática,
desigualdade social e questões de gênero e
raça. Nesse contexto, qual alternativa
apresenta uma interpretação mais precisa e
crítica da abordagem adotada?