A respeito da vesícula biliar e vias biliares, assinale a af...
Gabarito comentado
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Tema central: Lesões e condições da vesícula biliar (pólipos, adenomiomatose, vesícula em porcelana) e inflamação sem cálculos (colecistite acalculosa), com foco em diagnóstico e conduta.
Alternativa correta: D — Colecistite acalculosa é forma grave de colecistite, típica de pacientes críticos (pós-operatório de grandes cirurgias, grandes queimados, trauma, sepse, NPT prolongada). Tem alta mortalidade por diagnóstico tardio e perfuração/necrose. Fisiopatologia: estase biliar + isquemia da parede + translocação bacteriana. Diagnóstico: ultrassom com espessamento parietal (>3 mm), líquido perivesicular, lamina de bile espessa/“sludge”, ausência de cálculos; o Murphy ultrassonográfico pode faltar (sedação). Cintilografia biliar (HIDA) com não visualização da vesícula; TC auxilia (edema parietal, perivesicular). Tratamento: suporte intensivo + antibióticos de amplo espectro; em instáveis, colecistostomia percutânea; colecistectomia quando possível. (Referências: UpToDate; Tokyo Guidelines 2018/2022; Harrison’s)
Por que as demais estão incorretas?
A. Pólipos por colesterolose são pseudopólipos não neoplásicos, formados por macrófagos espumosos na lâmina própria, associados ao “strawberry gallbladder”. Não são “neoplasias benignas verdadeiras”. A vigilância depende do tamanho (≥10 mm, idade, fatores de risco) por risco de neoplasia em outros tipos de pólipos. (Harrison’s; ESGAR/ESGAR 2022)
B. O sinal “parede-eco-sombra (WES)” na US é típico de vesícula repleta de cálculos (parede hiperecogênica + linha ecogênica dos cálculos + sombra acústica), não de vesícula em porcelana. Na vesícula em porcelana, há calcificação da parede, com arco ecogênico curvilíneo e sombra ao longo da parede. Além disso, a associação com câncer é menor do que se pensava (estimada ~2–6%) e depende do padrão de calcificação; não é “altamente relacionada” de forma generalizada. Conduta é individualizada. (UpToDate; Radiology/Radiopaedia)
C. Adenomiomatose é condição hiperplásica benigna (não primariamente inflamatória), com hiperplasia mucosa e hipertrofia muscular, formando seios de Rokitansky–Aschoff intramurais. Pode ser focal, segmentar ou difusa. Na US, é clássico o artefato “comet-tail”. Não há indicação rotineira de cirurgia, exceto sintomáticos ou dúvida diagnóstica. A alternativa erra ao defini-la como “condição inflamatória crônica”. (Harrison’s; UpToDate)
Dica de prova: Associe palavras-chave: “paciente crítico + alta mortalidade + sem cálculos” → acalculosa (D); “WES” → vesícula cheia de cálculos, não porcelana; “colesterolose” → pseudopólipos; “adenomiomatose” → hiperplasia + Rokitansky–Aschoff.
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