Paciente sexo feminino, 36 anos, queixa-se de sonolência exc...
Paciente sexo feminino, 36 anos, queixa-se de sonolência excessiva diurna, de longa data, que a obrigava a rápidos períodos de sono durante o dia, nos quais chegava a sonhar, segundo relato. Refere também que já ocorreram vários episódios, logo após acordar, de paralisia momentânea dos movimentos. Questionada, negou episódios de perdas súbitas de força associada a emoções, negando roncos durante o sono. Foi realizada RM de encéfalo com resultado normal. Exames laboratoriais não demonstraram alterações significativas. Exame físico: Mallampati modificado grau 1, orofaringe sem alterações significativas, exame neurológico sem déficit sensitivo motor ou alteração focal neurológica.
Assinale a alternativa que apresenta a causa mais provável da queixa da paciente.
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Tema central: A questão aborda distúrbios do sono, com foco na narcolepsia e seus subtipos, diagnóstico diferencial frente a outras causas de sonolência diurna excessiva.
Justificativa da alternativa correta (B - Narcolepsia tipo 2):
A paciente apresenta sonolência diurna excessiva crônica e episódios de paralisia do sono, mas nega cataplexia (ausência de perda súbita de tônus muscular associada a emoções). Estes achados, aliados ao exame físico sem alterações e ausência de roncos, alinham-se diretamente à definição de Narcolepsia tipo 2 segundo a ICSD-3 (Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono):
“Sonolência diurna excessiva por pelo menos 3 meses, ausência de cataplexia e sem outra causa aparente.”
Paralisia do sono pode estar presente em ambos os tipos, mas a presença de cataplexia define o tipo 1, que está ausente no caso apresentado.
Análise das alternativas incorretas:
A) Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono:
Incorreta porque o quadro típico inclui ronco, pausas respiratórias e alterações anatômicas de vias aéreas superiores, além de indicação clínica (índice de Mallampati elevado). Aqui, a paciente não apresenta roncos ou alterações anatômicas.
C) Narcolepsia tipo 1:
Errada, pois esse diagnóstico exige cataplexia conforme a ICSD-3: “Presença de sonolência diurna com episódios de cataplexia.” A paciente nega o sintoma clássico.
D) Sonilóquio:
Refere-se ao falar durante o sono, não sendo causa de sonolência diurna excessiva nem relacionada aos sintomas descritos (paralisia do sono e sonhar ao adormecer).
Destaques e estratégia de leitura:
Note os pontos-chave do enunciado: sonolência diurna crônica, paralisia do sono, negação de cataplexia e exame físico normal. A ausência de sintomas respiratórios e alterações orofaringeanas é fundamental para descartar apneia.
Diretriz de referência:
Segundo o consenso da Associação Brasileira do Sono e a ICSD-3, a ausência de cataplexia é critério obrigatório para o diagnóstico de Narcolepsia tipo 2 (Consenso Brasileiro de Narcolepsia, p.7).
Conclusão:
A alternativa correta é a B, pois reflete o quadro clínico da paciente conforme os protocolos internacionais. O entendimento e valorização dos sintomas-chave e a exclusão criteriosa de outros distúrbios são essenciais em concursos de Medicina.
Evidência: UpToDate, ICSD-3, Consenso Brasileiro de Narcolepsia.
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Tipo 1 com cataplexia e níveis baixos de hipocretina
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