Não é correto afirmar sobre: "Entre março e abril, quando ...

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Q3416611 Português
PÁSCOA, SUBSTANTIVO FEMININO. As lendas e reviravoltas que fizeram da lebre um coelho.


Às vezes as ideias nos tomam a mente sem aviso — aconteceu comigo na última semana, em meio à compra dos ovos de Páscoa da família. No afã de prolongar a magia da data para as crianças, ia escrevendo no cartão dos chocolates "de: Coelho/para: ..." e, de repente, hesitei. E se fosse coelha?


As pessoas costumam se perguntar sobre o porquê do coelhinho da Páscoa. Não é mesmo evidente o elo entre a festa religiosa celebrada no próximo domingo e um mamífero espalhando ovos por aí — de chocolate, ainda por cima.


Em geral, elas se dão por satisfeitas com a explicação de que o ovo é um símbolo de vida e por isso se liga à ressurreição de Cristo, enquanto o coelho nos lembra a origem pagã da festa, a celebração da primavera no Hemisfério Norte. Entre março e abril, quando a vida se revigora, nascem as crias desse animal, conhecido pela fertilidade.


Para mim, a coisa se complica justo nesse ponto. Por que o coelho da festa é macho e as únicas coelhas lembradas (por motivos nada sagrados) são as da revista Playboy? Não seria o caso de dar o mérito e o lugar de honra à coelha?


Pois bem, fui pesquisar e, no início da tradição europeia, havia mesmo uma coelha. A bem da verdade, uma lebre fêmea (maior e mais orelhuda que sua prima, embora tão fértil quanto ela).


A lebre era sagrada para certos povos antes de Cristo. Júlio César chegou a observar que, nos territórios da atual Grã--Bretanha, ela não servia de alimento, devido a esse significado religioso. Na Grécia Antiga, era associada a Afrodite, a deusa do amor. Mais adiante, no século XIX, Jacob, um dos irmãos Grimm famosos pelos contos de fadas, escreveu sobre uma divindade feminina alemã ligada à fertilidade e à abundância (e outro alemão da mesma época a relacionou à lebre).


Diversas figuras femininas de fecundidade eram festejadas na Europa, nos meses promissores depois do frio, quando as lebres saltavam pelos campos com a filharada. Em algum momento, talvez para explicar às crianças como os ovos de Páscoa tinham ido parar nos jardins das casas, os animais começaram a fazer parte da festa, responsáveis pela distribuição. Daí para virar coelho, foi um pulo.


De uma deusa para outra, a lebre vira coelho, coelho não é coelha, se fosse também não botaria ovo, e o ovo nem de galinha é. Uma miscelânea bem plausível de contestação. Mas, rigores históricos e biológicos à parte, são as mulheres, divinas ou não, as que geram a vida. Por onde se olhe, uma fêmea, fosse de lebre ou de coelho, encaixaria melhor na lenda.


Veja se não estou certa. Os mais conservadores diriam ser papel feminino nutrir a família com afeto, cuidar do preparo dos chocolates e agradar às crianças com os doces. Já outros poderiam afirmar que hoje não faz sentido o distribuidor de presentes ser um homem (ou coelho, no caso). Afinal, há décadas a mulher não depende dele como provedor — aliás, segundo o IBGE, no Brasil são elas as chefes da maior parte das famílias.


Ainda assim, e a despeito de a equidade de gênero ser uma das bandeiras mais levantadas e debatidas atualmente, permanece comum nas decorações e ilustrações pascais o alegre coelho branco, geralmente vestindo roupas masculinas.


De minha parte, fecho este texto com uma constatação singela, mas essa, sim, incontestável. Em bom português, Páscoa é um substantivo feminino.


(Lucília Diniz,Veja 29 de março de 2024)

Não é correto afirmar sobre: "Entre março e abril, quando a vida se revigora (...)".
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Tema central da questão: Colocação pronominal (próclise), classificação gramatical e interpretação de estruturas básicas de morfologia e sintaxe normativa.

Justificativa da alternativa correta (D):

A alternativa D está INCORRETA, pois não há pronome relativo no trecho “Entre março e abril, quando a vida se revigora (...)”. O fenômeno gramatical responsável pela posição do pronome “se” antes do verbo (“se revigora”) não é um pronome relativo, mas sim uma conjunção subordinativa temporal: “quando”. Segundo a gramática normativa (Bechara, Cunha & Cintra), conjunções subordinativas promovem a próclise do pronome oblíquo, ou seja, atraem o pronome para antes do verbo: “quando se revigora” (e não “quando revigora-se”).

De acordo com Celso Cunha & Lindley Cintra, as principais partículas atrativas para a próclise são pronomes relativos, pronomes indefinidos e conjunções subordinativas. Aqui, o agente da próclise é “quando”, NÃO uma partícula relativa. Portanto, D contém um erro de classificação sintático-gramatical.

Análise das demais alternativas:

A) “Entre” é preposição.
Correto. “Entre” introduz um intervalo temporal (“março e abril”) e exerce papel de preposição.

B) O pronome “se” está proclítico.
Correto. O pronome aparece antes (“se revigora”), sendo próclise. O motivo é a conjunção (“quando”).

C) “Quando” é conjunção subordinativa temporal.
Correto. “Quando” introduz uma oração adverbial de tempo, subordinando-a à oração principal — exato exemplo de conjunção subordinativa temporal.

Orientação para provas:

Para questões assim, leia atentamente as funções sintáticas e morfológicas das palavras-chave (preposições, conjunções, pronomes). Atenção especial às pegadinhas que confundem pronomes relativos com outras palavras atrativas à próclise. Exemplo: “quando” (conjunção) ≠ “que” (pronome relativo).

Resumo: A alternativa D erra ao dizer que o pronome relativo é o fator de atração da próclise. Na frase analisada, esse papel cabe à conjunção subordinativa temporal “quando”.

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