Choque é a expressão clínica da hipóxia celular, tecidual e ...
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Tema central: manejo do choque (hipóxia tecidual por desequilíbrio entre oferta e consumo de O2). Na UTI, o passo-chave é identificar o tipo de choque (distributivo, cardiogênico, hipovolêmico/hemorrágico, obstrutivo) e iniciar ressuscitação dirigida a metas com oxigenação, fluidos apropriados, vasopressores/inotrópicos e controle da causa.
Alternativa correta: A – Epinefrina é primeira escolha na anafilaxia, por ação alfa (vasoconstrição, reverte edema/hipotensão) e beta (broncodilatação, inibe liberação de mediadores). Administração IM no vasto lateral (0,3–0,5 mg, repetir se necessário). Nos demais choques, não é vasopressor de primeira linha: no séptico, a norepinefrina é preferida; epinefrina pode ser alternativa/adjuvante em choque refratário ou com disfunção miocárdica. Evidências e diretrizes: WAO/AAAAI anaphylaxis; Surviving Sepsis Campaign 2021; UpToDate; Harrison’s.
Por que as demais estão incorretas?
- B – No choque hemorrágico, a reposição não depende de Hb < 7 g/dL. A Hb é inicialmente enganosa e não guia decisão aguda. Em hipotensão com sangramento ativo, indicar Protocolo de Transfusão Maciça (hemácias:plasma:plaquetas ~1:1:1), controle da hemorragia e hipotensão permissiva até hemostasia. O alvo Hb < 7 g/dL vale para críticos estáveis sem sangramento. Referências: ATLS 10ª ed.; EAST; UpToDate.
- C – Soluções balanceadas (Ringer lactato/Plasma-Lyte) reduzem acidose hiperclorêmica e injúria renal em alguns cenários (SMART/SALT-ED), levando a recomendação fraca de preferi-las no séptico. Porém, a afirmação erra ao impor o limite “até 2 L” (não existe tal corte nas diretrizes) e ao generalizar “melhores resultados” para todo contexto. Há exceções (p.ex., TCE grave pode preferir salina hipertônica/isotônica). Referência: Surviving Sepsis 2021.
- D – O nitroprussiato doa NO e aumenta GMPc, promovendo vasodilatação arterial e venosa (potente redução de pós-carga). Não é “sobretudo venoso” e não é droga de escolha na isquemia miocárdica; pode causar “coronary steal” e toxicidade por cianeto/tiocianato. Para dor isquêmica, preferimos nitroglicerina. Em IC aguda hipertensiva, nitroprussiato pode ser útil, mas não é a “droga de escolha” universal. Referências: Harrison’s; AHA/ACC IC aguda.
Dicas de prova: associe choque séptico → norepinefrina; anafilaxia → epinefrina IM imediata; hemorrágico → hemostasia + hemoderivados (1:1:1); cristaloide balanceado geralmente preferível, mas sem “números mágicos”. Desconfie de cutoffs arbitrários e de generalizações absolutas.
Referências essenciais: Surviving Sepsis Campaign 2021; ATLS 10ª ed.; WAO/AAAAI Anaphylaxis Guidelines; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: A
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