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Q3080161 Medicina
Paciente, 35 anos, sexo masculino, sem comorbidades, apresenta quadro de febre, cefaleia, mialgia, anorexia, náuseas, vômitos e exantema em tronco e em região pré-tibial há 5 dias. Laboratório com leucócitos de 14.000 células/mm3; demais exames sem alterações. Considerando sua exposição recente à água de enchente, foi feita a hipótese diagnóstica de leptospirose, confirmada por meio de exame direto em cultura. De acordo com as recomendações do Guia de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, o tratamento de primeira linha para a fase precoce dessa doença deve ser feito com:
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Gabarito comentado

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Gabarito: B — Doxiciclina 100 mg VO a cada 12 h por 5–7 dias

Tema central: manejo da leptospirose na fase precoce (anicterícia, sem gravidade), especialmente a escolha do antibiótico de primeira linha conforme o Guia de Vigilância em Saúde (MS).

Raciocínio clínico: Quadro febril agudo com cefaleia, mialgia (comum em panturrilhas), sintomas gastrointestinais e exantema, associado a exposição a água de enchente, confirma leptospirose por cultura. Ausência de icterícia, insuficiência renal, hemorragia ou instabilidade hemodinâmica indica forma leve/anicterícia (fase leptospirêmica, até ~7 dias). Nessas situações, o tratamento é ambulatorial e por via oral.

Por que a alternativa B é correta? O MS (Guia de Vigilância em Saúde) recomenda para casos leves/precoces: doxiciclina 100 mg VO 12/12 h por 5–7 dias como primeira linha. Alternativas possíveis incluem amoxicilina/ampicilina (gestantes e crianças). Essa conduta também é coerente com UpToDate e Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Análise das alternativas incorretas:

A) Cefotaxima 1 g IV 12/12 h por 5 dias — Antibiótico parenteral é reservado para formas graves (p. ex., icterícia, insuficiência renal, hemorragia pulmonar). Além disso, o esquema/dose proposto não é o usual (cefotaxima costuma ser 1 g IV a cada 6–8 h), e a duração típica é 7 dias. Não é primeira linha para caso leve.

C) Cloranfenicol 500 mg VO 8/8 h por 5–7 dias — Droga historicamente usada, porém hoje não recomendada por toxicidade (risco de aplasia de medula) e por haver opções mais seguras e eficazes. Não consta como primeira linha no MS.

D) Penicilina G cristalina 750.000 UI IV 8/8 h por 5 dias — Dose insuficiente e via inadequada para caso leve. Para formas graves, recomenda-se dose maior (ex.: 1,5 milhão UI IV a cada 6 h) por ~7 dias. Não é esquema de escolha para fase precoce sem gravidade.

Estratégia para a prova: Identifique a exposição hídrica + sintomas iniciais e verifique critérios de gravidade (icterícia, oligúria/creatinina elevada, hemorragia pulmonar, choque). Sem gravidade → preferir doxiciclina VO. Com gravidade → antibiótico IV (penicilina G, ceftriaxona/cefotaxima) e suporte intensivo.

Diagnóstico e fases: Na 1ª semana há leptospiremia; cultura/PCR podem positivar. A partir do 7º–10º dia, a MAT (sorologia) ganha sensibilidade. Hemograma pode mostrar leucocitose e plaquetopenia; função renal/hepática podem alterar-se nas formas graves.

Referências essenciais: Ministério da Saúde – Guia de Vigilância em Saúde (leptospirose, últimas edições); OMS; UpToDate (Leptospirosis: treatment); Harrison’s.

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