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Q2405474 Medicina
Os pacientes com taquiarritmias podem procurar o departamento de emergência por diversos sintomas, não sendo possível, apenas pelo quadro clínico, identificar alguma arritmia presente. Entre as principais manifestações estão mal-estar inespecífico, dor torácica, dispneia, palpitações, alterações do nível de consciência e hipotensão. Sobre a patologia ora descrita, assinale a alternativa correta. 
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Tema central: abordagem da taquicardia no departamento de emergência, com ênfase em estabilidade hemodinâmica, largura do QRS e escolha entre cardioversão sincronizada e desfibrilação. Reconhecer quando intervir eletricamente é decisivo.

Alternativa correta: DTaquicardia ventricular monomórfica instável com pulso deve ser tratada com cardioversão elétrica sincronizada. Iniciar em 100 J (bifásico) e aumentar progressivamente se não reverter. Se possível, realizar sedação rápida. Baseado nas diretrizes AHA ACLS 2020/2024 e ESC 2019.

Raciocínio clínico essencial:

- Instabilidade hemodinâmica = hipotensão, sinais de choque, dor torácica isquêmica persistente, insuficiência cardíaca aguda, rebaixamento do nível de consciência. Nessas situações, a conduta é elétrica imediata.

- Sincronizada quando há pulso e ritmo regular (ex.: TV monomórfica). Desfibrilação (não sincronizada) para TV/FV sem pulso ou TV polimórfica. (AHA ACLS; UpToDate)

Análise das incorretas

A) “Dor precordial e hipertensão indicam choque elétrico.” — Incorreto. Hipertensão não define instabilidade. A indicação de intervenção elétrica é por hipotensão ou outros sinais de instabilidade. Além disso, desfibrilação é para ritmos não sincronizáveis (FV/TV sem pulso), enquanto taquiarritmias com pulso e instáveis pedem cardioversão sincronizada. (AHA ACLS)

B) “Em QRS estreito regular sem ondas P visíveis é obrigatória adenosina.” — Falso. Conduta inicial em estável: manobras vagais e, se regular e estreito, pode-se usar adenosina, que é também diagnóstica. Não é obrigatória: há contraindicações (asma grave/broncoespasmo, suspeita de FA pré-excitada com QRS largo e irregular), e se houver instabilidade, a conduta é cardioversão. (AHA ACLS; ESC SVT 2019; UpToDate)

C) “Verapamil tem baixo risco de interação.” — Incorreto. Verapamil (bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico) é inibidor de CYP3A4/P-gp e interage com digoxina (↑níveis), betabloqueadores (↑bradi/BA), anticoagulantes diretos e estatinas. Além disso, é contraindicado em WPW com FA e deve ser evitado na IC com fração de ejeção reduzida. Portanto, não tem “baixo risco” de interação. (Harrison’s; ESC 2019; UpToDate)

Dicas para prova:

- Identifique largura do QRS (estreito x largo), regularidade (regular x irregular) e presença de pulso.

- Em instabilidade: trate eletricamente sem demora. Sincronizada se há pulso/ritmo regular; desfibrilação se polimórfica ou sem pulso.

- Em taquicardia estreita regular estável: manobras vagais → adenosina se apropriado.

Referências: AHA ACLS 2020/2024; ESC Guidelines for SVT 2019; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: D

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A questão aborda o manejo clínico das taquiarritmias, que são ritmos cardíacos anormalmente rápidos. A resposta correta é a alternativa D, que afirma que nas taquicardias ventriculares monomórficas instáveis com pulso, deve-se realizar cardioversão elétrica sincronizada, inicialmente com 100 joules, e aumentar a carga progressivamente, se necessário. Essa abordagem é indicada para restaurar um ritmo sinusal normal quando o paciente está hemodinamicamente instável, o que significa que sua condição pode ameaçar a vida e requer uma intervenção rápida e eficaz. A sincronização é crucial para evitar a aplicação de choque durante a repolarização ventricular (onda T) que pode precipitar uma arritmia mais grave como fibrilação ventricular. As outras alternativas são incorretas: A sugere que dor precordial e hipertensão indicam tratamento imediato com cardioversão ou desfibrilação, o que não é necessariamente verdadeiro, pois a hipertensão não é um sintoma típico de taquiarritmias e a abordagem depende da estabilidade do paciente; B é incorreta porque a adenosina é utilizada para taquicardias supraventriculares e não é administrada obrigatoriamente, especialmente quando as ondas P não são identificáveis, outras avaliações são necessárias; C é incorreta porque, apesar de o verapamil ser utilizado no manejo das taquicardias supraventriculares, ele tem um conhecido perfil de interação medicamentosa e não possui baixo risco de interação com outros medicamentos.

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