Exames de investigação etiológica evidenciaram IgM positiva ...

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Q4238591 Medicina
Menina, 7 anos de idade, encaminhada após avaliação em pronto-socorro infantil com história de icterícia há 8 dias, associada à dor abdominal em hipocôndrio direito e episódios de epistaxe e sangramento gengival há 2 dias. Encontra-se vigil, porém mãe refere alteração no sono no último dia.

• Exames laboratoriais:

TGO/AST: 2.345 U/L

TGP/ALT: 3.289 U/ L

Bilirrubina total: 23 mg/dL

Bilirrubina direta: 17 mg/dL

Bilirrubina indireta: 6 mg/dL

Amônia plasmática: 134 μmol/L

Tempo de protrombina: INR 6,5   
Exames de investigação etiológica evidenciaram IgM positiva para vírus hepatite A e o restante dos exames de investigação etiológica foram normais. Assinale a alternativa correta em relação à conduta para essa paciente. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Insuficiência hepática aguda grave por hepatite A: coagulopatia importante (INR 6,5), sangramento mucoso e alteração do sono compatível com encefalopatia hepática inicial, com amônia elevada; esse quadro indica internação em UTI e avaliação imediata para transplante hepático.

Tema central: Insuficiência hepática aguda grave
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque alta com dieta e seguimento ambulatorial contraria o quadro de insuficiência hepática aguda grave. INR 6,5 demonstra falência sintética importante, e epistaxe, sangramento gengival e alteração do sono mostram repercussão hemorrágica e neurológica. Esse cenário tem risco de progressão rápida e não comporta manejo ambulatorial.
B
Errada
Está errada por dois motivos médicos objetivos: não é possível excluir indicação de transplante diante de coagulopatia grave com encefalopatia/sangramento, e a vacina contra hepatite A não trata infecção aguda já estabelecida com IgM positiva. A prioridade aqui é manejo da insuficiência hepática aguda, não imunização.
C
Errada
Está errada porque o quadro não permite transplante em caráter eletivo nem alta. Mesmo que se reconheça a necessidade de transplante, a urgência é imediata: INR extremamente elevado, sangramento espontâneo e alteração do sono indicam descompensação aguda com necessidade de terapia intensiva e avaliação urgente, não programação ambulatorial.
D
Certa
A alternativa D está correta porque a paciente não tem apenas hepatite A aguda; ela já apresenta falência hepática grave, evidenciada por coagulopatia acentuada, repercussão hemorrágica clínica e manifestação neurológica inicial. Em insuficiência hepática aguda pediátrica, esse padrão indica suporte intensivo e encaminhamento urgente para centro transplantador. O termo "imediatamente" é adequado no contexto da prova porque a necessidade é de avaliação/encaminhamento imediato para transplante diante do risco de deterioração rápida.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de minimizar a gravidade por se tratar de hepatite A, que geralmente é autolimitada. O erro seria olhar a etiologia e ignorar o dado decisivo de gravidade: falência sintética hepática com encefalopatia e sangramento.
Dica para questões semelhantes
  • Em hepatite aguda, o marcador decisivo de gravidade não é a transaminase isoladamente, mas a função de síntese: INR muito elevado muda a conduta.
  • Alteração do sono em contexto de insuficiência hepática aguda deve ser valorizada como possível encefalopatia hepática inicial.
  • Sangramento mucoso junto de INR alto indica repercussão clínica da coagulopatia e afasta manejo ambulatorial.
  • A etiologia viral confirmada não reduz a urgência quando já há falência hepática instalada.

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