Uma professora encaminha criança de 6 anos, cursando o prim...
Nessa situação, o médico deve:
Gabarito comentado
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Tema central: Criança de 6 anos com dificuldade de aprendizagem e hiperatividade. Antes de pensar em TDAH, é essencial excluir causas orgânicas reversíveis, especialmente déficits auditivos e visuais, que podem simular ou agravar desatenção e baixo rendimento escolar.
Alternativa correta: A — solicitar avaliação auditiva e oftalmológica.
Justificativa: Diretrizes da AAP (2019) e da SBP recomendam que, na avaliação inicial de queixas de aprendizado/comportamento, o médico triagem visão e audição antes de rotular TDAH ou iniciar medicação. Hipoacusia (p.ex., por otite média) e erros refrativos são frequentes nessa faixa etária e impactam atenção, leitura e comportamento. Exames usuais: audiometria/imitanciometria e acuidade visual (Snellen/LEA). Somente após excluir essas condições segue-se com a avaliação neurocomportamental.
Estratégia de prova: Ao ver “hiperatividade” + “baixa aprendizagem” em início de vida escolar, pense primeiro em causas sensoriais e em critério de dois ambientes do DSM-5 para TDAH. Não pule para medicação.
Abordagem inicial recomendada:
- Anamnese e exame físico completos (sono, linguagem, histórico escolar).
- Triagem auditiva e visual.
- Relatos de pais e professores + escalas padronizadas (Vanderbilt/SNAP-IV).
- Avaliar comorbidades: transtornos de aprendizagem, ansiedade, TDO, dificuldades pedagógicas.
Análise das alternativas incorretas:
B - Prescrever metilfenidato: Indicado apenas após diagnóstico clínico de TDAH (DSM-5), com prejuízo em ≥2 ambientes e após medidas psicopedagógicas. Iniciar fármaco sem diagnóstico contraria AAP/SBP e expõe a riscos (insônia, redução de apetite, efeitos cardiovasculares).
C - Encaminhar ao psiquiatra infantil: Pode ser necessário depois, mas não é o primeiro passo. A atenção primária deve iniciar a avaliação, incluindo visão/audição. Encaminhar sem triagem básica onera o sistema e atrasaria condutas simples.
D - Solicitar mudança de turma: Medida não baseada em evidência. O foco deve ser intervenções pedagógicas estruturadas e avaliação clínica. Trocar turma não corrige déficit sensorial ou transtorno neurodesenvolvimental.
E - Prescrever zinco e magnésio: Suplementação indiscriminada não tem evidência para melhorar hiperatividade/aprendizagem em crianças eutróficas. Não faz parte de protocolos AAP/SBP.
Pegadinha: O relato é apenas da professora. TDAH requer sintomas em dois ambientes (casa e escola). Sem essa confirmação, pensar em causas alternativas, especialmente sensoriais.
Referências essenciais: AAP Clinical Practice Guideline for ADHD (2019); SBP – Manual de Orientação: TDAH; UpToDate – Evaluation of school difficulties in children.
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