Lactente com 4 meses de vida, nascido de parto normal com ...

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Q4238579 Medicina
Lactente com 4 meses de vida, nascido de parto normal com peso de 3.200 g, apresentou icterícia persistente desde a terceira semana de vida, juntamente com acolia fecal progressiva. Ao exame físico, encontrava-se em bom estado geral, com borda hepática endurecida palpável a 3 cm do rebordo costal direito / baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo e com pequeno volume de líquido ascítico identificável no exame abdominal. A ultrassonografia de abdome (realizada logo após a ingestão de 180 mL de fórmula láctea), não descreveu nenhuma alteração. Qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta terapêutica recomendada para o caso descrito? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A decisão é definida pelo estágio avançado da atresia biliar: aos 4 meses, com fígado endurecido, esplenomegalia e ascite, há sinais de hipertensão portal/doença hepática avançada, o que reduz a plausibilidade de benefício da portoenterostomia de Kasai e torna o transplante hepático a conduta adequada entre as alternativas.

Tema central: Atresia biliar avançada
Análise das alternativas
A
Errada
A hipótese diagnóstica é compatível com atresia biliar, mas a conduta não é a melhor no cenário descrito. A portoenterostomia de Kasai é mais útil nas fases iniciais; aqui, a apresentação tardia com fígado endurecido, esplenomegalia e ascite sugere doença avançada, reduzindo seu benefício como resposta principal.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro clínico aponta para atresia das vias biliares — icterícia persistente desde a 3ª semana e acolia fecal progressiva —, mas a escolha terapêutica depende do momento da apresentação. Neste lactente de 4 meses, a hepatomegalia endurecida, a esplenomegalia e a ascite indicam evolução avançada com hipertensão portal, cenário em que o transplante hepático supera a Kasai como resposta principal da questão.
C
Errada
Dilatação congênita das vias biliares não é sustentada porque faltam achados anatômicos em imagem, como dilatação ductal ou cisto biliar. O padrão clínico é de colestase obstrutiva neonatal típica, com acolia progressiva e sinais de doença hepática avançada, favorecendo atresia biliar.
D
Errada
A derivação bílio-digestiva não corresponde ao fenótipo descrito. Essa cirurgia se relaciona ao manejo de dilatação congênita das vias biliares, e não ao quadro de atresia biliar avançada sugerido por acolia fecal progressiva, hepatomegalia endurecida, esplenomegalia e ascite.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de marcar automaticamente Kasai ao reconhecer atresia biliar, sem considerar que o enunciado descreve apresentação tardia com sinais de doença hepática avançada; a ultrassonografia sem alterações também pode induzir exclusão indevida de atresia.
Dica para questões semelhantes
  • Em lactente com icterícia persistente e fezes acólicas, o achado que mais pesa é a ausência de bile no intestino, o que prioriza obstrução biliar extra-hepática e coloca atresia biliar no topo.
  • Depois de reconhecer atresia biliar, a próxima pergunta é o estágio da doença: idade maior, fígado endurecido, esplenomegalia e ascite mudam a conduta esperada.
  • Ultrassonografia sem alteração não afasta atresia biliar quando a semiologia é típica, especialmente se o exame foi feito após alimentação.
  • Não confunda atresia biliar com dilatação congênita das vias biliares: esta depende de achado anatômico biliar compatível em imagem, ausente no caso.

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