Os acidentes ofídicos podem ser classificados em leves, mod...
O único gênero que deve ser considerado como potencialmente grave pelo risco de insuficiência respiratória é o:
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Tema central: Acidentes ofídicos e gravidade clínica. Em provas, a gravidade é definida pelo mecanismo do veneno e risco de complicações sistêmicas. O risco de insuficiência respiratória está associado ao bloqueio neuromuscular por neurotoxinas.
Alternativa correta: D – elapídico
Justificativa: Acidentes elapídicos (gênero Micrurus – coral verdadeira) têm veneno neurotóxico com toxinas que bloqueiam a junção neuromuscular (alfa-neurotoxinas antagonizam receptores nicotínicos; beta-neurotoxinas inibem liberação de acetilcolina). Resultado: ptose, oftalmoparesia, disfagia, disartria, fraqueza proximal e progressão para falência respiratória. Por isso, são considerados potencialmente graves pelo risco de insuficiência respiratória mesmo com poucos sinais locais. Conduta: vigilância de via aérea, suporte ventilatório se necessário e Soro Antielapídico precoce (Ministério da Saúde; WHO Snakebite Guidelines; Harrison’s).
Como interpretar e evitar pegadinhas: A palavra-chave é “único gênero potencialmente grave pelo risco de IR”. Embora outros gêneros possam causar neurotoxicidade, essa classificação é clássica para elapídicos, pois o quadro pode ser inicialmente oligo/assintomático e deteriorar rapidamente.
Análise das alternativas incorretas
A – botrópico (Bothrops): Veneno proteolítico, inflamatório e coagulante. Quadro: dor, edema, equimoses, distúrbios de coagulação e sangramentos. Não é típico cursar com insuficiência respiratória por neuroparalisia. Tratamento: Soro Antibotrópico conforme gravidade.
B – crotálico (Crotalus): Tem neuro e miotoxinas (crotoxina) com “fácies miastênica”, urina escura por rabdomiólise e alto risco de IRA. Pode haver depressão respiratória em casos graves, mas nos manuais do MS o acidente crotálico é classificado como grave de modo geral, enquanto o rótulo “potencialmente grave pelo risco de IR” é característico dos elapídicos. Soro: Anticrotálico.
C – laquético (Lachesis): Quadro semelhante ao botrópico, com efeito vagolítico/vagostímico (náuseas, vômitos, hipotensão, bradicardia). Não é tipicamente associado a paralisia respiratória por neurobloqueio. Soro: Antilaquético.
E – boidae (boídeos): Não são peçonhentos; acidentes por mordedura mecânica ou constrição. Sem risco de insuficiência respiratória por veneno.
Pontos práticos (diagnóstico e conduta no elapídico): suspeitar em mordida de coral verdadeira com pouca reação local; monitorar força palpebral, deglutição, fala e ventilação; gasometria se disponível; iniciar oxigênio, preparar via aérea e administrar Soro Antielapídico precocemente. Observação mínima de 24h.
Referências: Ministério da Saúde – Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos; WHO Guidelines for the management of snakebites; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate.
Gabarito: D – elapídico
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