... se queria conservador, claro e clássico. (2. parágrafo) ...

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Ano: 2011 Banca: FCC Órgão: INFRAERO Prova: FCC - 2011 - INFRAERO - Biólogo - Edital 02 |
Q2778917 Português

Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte.


Os anônimos


    Na história de Branca de Neve, a rainha má consulta o seu espelho e pergunta se existe no reino uma beleza maior do que a sua. Os espelhos de castelo, nos contos de fada, são um pouco como certa imprensa brasileira, muitas vezes dividida entre as necessidades de bajular o poder e de refletir a realidade. O espelho tentou mudar de assunto, mas finalmente respondeu: “Existe”. Seu nome: Branca de Neve.

    A rainha má mandou chamar um lenhador e instruiu-o a levar Branca de Neve para a floresta, matá-la, desfazer-se do corpo e voltar para ganhar sua recompensa. Mas o lenhador poupou Branca de Neve. Toda a história depende da compaixão de um lenhador sobre o qual não se sabe nada. Seu nome e sua biografia não constam em nenhuma versão do conto. A rainha má é a rainha má, claramente um arquétipo, e os arquétipos não precisam de nome. O Príncipe Encantado, que aparecerá no fim da história, também não precisa. É um símbolo reincidente, talvez nem a Branca de Neve se dê ao trabalho de descobrir seu nome. Mas o personagem principal da história, sem o qual a história não existiria e os outros personagens não se tornariam famosos, não é símbolo de nada. Ele só entra na trama para fazer uma escolha, mas toda a narrativa fica em suspenso até que ele faça a escolha certa, pois se fizer a errada não tem história. O lenhador compadecido representa dois segundos de livre-arbítrio que podem desregular o mundo dos deuses e dos heróis. Por isso é desprezado como qualquer intruso e nem aparece nos créditos.

    Muitas histórias mostram como são os figurantes anônimos que fazem a história, ou como, no fim, é a boa consciência que move o mundo. Mas uma das pessoas do grupo em que conversávamos sobre esses anônimos discordou dessa tese, e disse que a entrada do lenhador simbolizava um problema da humanidade, que é a dificuldade de conseguir empregados de confiança, que façam o que lhes for pedido.


(Adaptado de Luiz Fernando Verissimo, Banquete com os deuses)

... se queria conservador, claro e clássico. (2. parágrafo) Com a afirmativa acima, o autor

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O trecho "... se queria conservador, claro e clássico." é decisivo porque o verbo pronominal "se queria" marca pretensão ou autoimagem estética, funcionando como retomada discursiva de uma caracterização anterior de Ingres, e não como descrição objetiva e plena de sua obra.

Tema central: autoimagem estética
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra porque transforma o trecho em explicação causal de traços formais da obra, como "excesso de intensidade formal" e tendência ao "bizarro". A formulação citada não explica a origem desses traços; ela apenas indica como Ingres se queria ou se concebia esteticamente.
B
Certa
A alternativa B acerta porque interpreta "... se queria conservador, claro e clássico." como síntese de um projeto estético assumido por Ingres, e não como descrição neutra e objetiva de suas obras. O núcleo da leitura está no valor de "se queria", que remete ao modo como ele se via ou pretendia ser visto. Por isso, a frase reitera a adesão a valores conservadores, claros e clássicos e, ao mesmo tempo, preserva o contraste implícito entre esse ideal e o fato de tais valores não se refletirem plenamente no resultado da produção artística.
C
Errada
A alternativa introduz uma ironia dirigida às escolas de Belas Artes do passado e à repressão da criatividade, mas esse alvo específico não está sustentado pela frase destacada. No trecho dado, não há base suficiente para afirmar que o autor esteja ironizando o academicismo nesses termos.
D
Errada
A alternativa incorre no erro central da questão: toma "conservador, claro e clássico" como qualidades objetivas da obra, quando o trecho fala do que o artista "se queria". Além disso, acrescenta oposição aos modernistas e a ideia de "universo de eternidades estáticas", extrapolações não garantidas pela formulação citada.
E
Errada
A alternativa desloca o sentido do trecho para a recepção histórica de Ingres e para sua consagração tardia por Picasso e Matisse. Isso é tematicamente incompatível com a frase analisada, que trata de autoimagem ou projeto estético, não de reconhecimento posterior.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre intenção estética e realização efetiva da obra: quem lê "se queria" como se fosse "era" tende a marcar alternativas que descrevem objetivamente a produção artística ou acrescentam extrapolações históricas e críticas.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique o valor do verbo: "se queria" indica projeto, autoimagem ou pretensão; não equivale automaticamente a descrição factual.
  • Diferencie valores estéticos professados pelo artista do que o texto afirma sobre o resultado efetivo da obra.
  • Elimine alternativas que usem a frase para explicar causas, recepção histórica ou oposições críticas que o trecho não sustenta.
  • Quando a formulação parecer resumir algo anterior, procure a função de retomada discursiva, não apenas o sentido isolado das palavras.

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