... se queria conservador, claro e clássico. (2. parágrafo) ...
Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte.
Os anônimos
Na história de Branca de Neve, a rainha má consulta o seu espelho e pergunta se existe no reino uma beleza maior do que a sua. Os espelhos de castelo, nos contos de fada, são um pouco como certa imprensa brasileira, muitas vezes dividida entre as necessidades de bajular o poder e de refletir a realidade. O espelho tentou mudar de assunto, mas finalmente respondeu: “Existe”. Seu nome: Branca de Neve.
A rainha má mandou chamar um lenhador e instruiu-o a levar Branca de Neve para a floresta, matá-la, desfazer-se do corpo e voltar para ganhar sua recompensa. Mas o lenhador poupou Branca de Neve. Toda a história depende da compaixão de um lenhador sobre o qual não se sabe nada. Seu nome e sua biografia não constam em nenhuma versão do conto. A rainha má é a rainha má, claramente um arquétipo, e os arquétipos não precisam de nome. O Príncipe Encantado, que aparecerá no fim da história, também não precisa. É um símbolo reincidente, talvez nem a Branca de Neve se dê ao trabalho de descobrir seu nome. Mas o personagem principal da história, sem o qual a história não existiria e os outros personagens não se tornariam famosos, não é símbolo de nada. Ele só entra na trama para fazer uma escolha, mas toda a narrativa fica em suspenso até que ele faça a escolha certa, pois se fizer a errada não tem história. O lenhador compadecido representa dois segundos de livre-arbítrio que podem desregular o mundo dos deuses e dos heróis. Por isso é desprezado como qualquer intruso e nem aparece nos créditos.
Muitas histórias mostram como são os figurantes anônimos que fazem a história, ou como, no fim, é a boa consciência que move o mundo. Mas uma das pessoas do grupo em que conversávamos sobre esses anônimos discordou dessa tese, e disse que a entrada do lenhador simbolizava um problema da humanidade, que é a dificuldade de conseguir empregados de confiança, que façam o que lhes for pedido.
... se queria conservador, claro e clássico. (2. parágrafo) Com a afirmativa acima, o autor
Gabarito comentado
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: O trecho "... se queria conservador, claro e clássico." é decisivo porque o verbo pronominal "se queria" marca pretensão ou autoimagem estética, funcionando como retomada discursiva de uma caracterização anterior de Ingres, e não como descrição objetiva e plena de sua obra.
- Verifique o valor do verbo: "se queria" indica projeto, autoimagem ou pretensão; não equivale automaticamente a descrição factual.
- Diferencie valores estéticos professados pelo artista do que o texto afirma sobre o resultado efetivo da obra.
- Elimine alternativas que usem a frase para explicar causas, recepção histórica ou oposições críticas que o trecho não sustenta.
- Quando a formulação parecer resumir algo anterior, procure a função de retomada discursiva, não apenas o sentido isolado das palavras.
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