Um pediatra atende uma criança de 18 meses que apresenta pre...
Qual das seguintes afirmações sobre a aplicação do M-CHAT e outras escalas na triagem do Transtorno do Espectro Autista em crianças é correta?
Gabarito comentado
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Gabarito: C
Tema central: Triagem do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em lactentes usando o M-CHAT-R/F, ferramenta padronizada aplicada em puericultura para identificar risco aumentado de TEA e indicar avaliação especializada.
Por que a alternativa C é correta? O M-CHAT é uma ferramenta de triagem com alta sensibilidade e especificidade moderada, o que implica maior taxa de falso-positivos. Isso é aceitável em triagem para não perder casos. A versão com entrevista de seguimento (M-CHAT-R/F) reduz substancialmente os falso-positivos e melhora o valor preditivo positivo. Assim, é eficaz como rastreamento, devendo ser seguida por entrevista, encaminhamento para avaliação do desenvolvimento e início de intervenções quando indicado. Recomendada pela AAP e SBP aos 18 e 24 meses.
Análise das alternativas incorretas
A) “12 a 24 meses”. Incorreta pela faixa etária. O M-CHAT-R/F foi validado para 16–30 meses. Embora usado tipicamente nas consultas dos 18 e 24 meses, não é indicado aos 12 meses, e o limite superior é 30 meses, não 24.
B) “Somente em crianças com atraso motor”. Incorreta. A triagem é universal (18 e 24 meses), independente de queixas. Além disso, TEA envolve principalmente comunicação social e comportamentos restritos; atraso motor não é requisito para aplicação.
D) “Consulta específica e avaliação pelo neurologista infantil”. Incorreta. O M-CHAT é preenchido pelos pais/cuidadores e pontuado pelo pediatra da atenção primária durante a puericultura. A entrevista de seguimento também pode ser feita na atenção primária. Resultado positivo leva a encaminhamento para avaliação do desenvolvimento (equipe multiprofissional; neuropediatra pode participar), mas não requer consulta separada apenas para responder o questionário.
Dicas de prova e condução prática
- Red flags aos 18 meses: não responder ao nome, evitar contato visual, não apontar (gesto de protoimperativo/protodeclarativo) — reforçam a indicação de triagem e avaliação.
- Após triagem positiva: realizar entrevista M-CHAT-R/F, encaminhar para intervenção precoce (fonoaudiologia, terapias comportamentais) e considerar avaliação auditiva quando há queixas de linguagem.
- Triagem ≠ diagnóstico: diagnóstico é clínico, por equipe experiente.
Referências essenciais: American Academy of Pediatrics (AAP) – Autism screening at 18 and 24 months com M-CHAT-R/F; Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) – Recomendações de triagem do TEA em puericultura; UpToDate – Screening and diagnosis of autism spectrum disorder in young children.
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