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Ao valorizar positivamente o senso que cada um de nós deve t...

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Q3992555 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Sobre a tranquilidade da alma


    Há desejos nossos que não devem ser levados para muito longe de nós; permitamos-lhes, então, que saiam apenas para as proximidades, de vez que não podem ser totalmente domesticados. Abandonando aquilo que não pode acontecer, ou que só muito dificilmente poderia estar ao nosso alcance, sigamos as coisas próximas que favorecem nossa esperança. Saibamos, no entanto, que essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vas. 

    E não invejemos as criaturas que estão mais alto: o que parece altura é também precipício. Aqueles, pelo contrário, aos quais uma sorte iníqua conduziu a uma encruzilhada, mais seguros estarão diminuindo sua soberba nas coisas que naturalmente levam à altivez orgulhosa de si.

    Muitos, na verdade, existem imperiosamente atados às alturas, e de lá não podem descer a não ser caindo. Nada, todavia, nos livrará das flutuações da alma como o saber fixar sempre um limite às ambições, sem deixá-las ao arbítrio da fortuna, assim como deter-nos a nós mesmos diante das promessas vertiginosas. Ainda que venham a excitar a alma, ou por isso mesmo, alguns dos nossos desejos, uma vez limitados, não avançarão temerariamente às regiões do que é imenso e incerto.

    Vejam: é aos imperfeitos, medíocres e insensatos que se dirigem esses meus preceitos, não ao sábio. O sábio não precisa caminhar com timidez, pé ante pé: ele tem tanta confiança em si mesmo e em seus recursos que não hesita em sair ao encontro do seu destino. Não tem, por isso, que temê-lo; aprendeu a viver sabendo o que pertence ao rol das coisas precárias e o que, estando ao seu alcance, cumpre-lhe guardar como seu.


(Adaptado de SÊNECA. Sobre a tranquilidade da alma. Trad. José Rodrigues Seabra Filho. São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 51)
Ao valorizar positivamente o senso que cada um de nós deve ter de seus próprios limites, Sêneca não deixa de relativizar essa virtude, ao nos advertir:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto decisivo está na oposição marcada por "no entanto": depois de valorizar o que está ao nosso alcance, o texto introduz a ressalva "Saibamos, no entanto, que essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vas." Esse trecho é o que efetivamente relativiza a virtude do limite e, por isso, corresponde à alternativa D.

Tema central: relativização da moderação
Análise das alternativas
A
Errada
O trecho "mais seguros estarão diminuindo sua soberba" apenas reforça a moderação e a humildade. Ele confirma a conveniência de conter a altivez, mas não traz a advertência relativizadora pedida pelo comando.
B
Errada
O trecho "Muitos, na verdade, existem imperiosamente atados às alturas" critica a condição de quem está preso à elevação excessiva e exposto à queda. Trata-se de censura à ambição desmedida, não de ressalva sobre o valor do que está próximo e ao alcance.
C
Errada
O trecho "desejos nossos que não devem ser levados para muito longe de nós" expressa a orientação inicial de contenção. Há valorização direta do limite, mas sem a advertência que o enunciado pede.
D
Certa
A alternativa D é a correta porque retoma a advertência em que Sêneca desloca o foco do conselho anterior para uma cautela específica: as coisas próximas, embora preferíveis às inalcançáveis, "podem ser levianas". O critério semântico decisivo é justamente essa ressalva sobre o valor do que está ao alcance, introduzida por "no entanto", que impede tratar a moderação como garantia absoluta.
E
Errada
O trecho "não invejemos as criaturas que estão mais alto" condena a inveja e se alinha ao elogio da moderação. Não há aí a ressalva de que o próximo também pode ser leviano; por isso, não atende ao critério da questão.
Pegadinha da questão
A questão exige distinguir a tese principal do texto da ressalva que a relativiza. O erro mais provável é marcar um trecho que apenas recomenda conter desejos, soberba ou inveja, sem perceber que o ponto decisivo é a advertência introduzida por "no entanto".
Dica para questões semelhantes
  • Separe no comando a valorização inicial da ideia que a limita ou relativiza.
  • Observe conectores de ressalva, como "no entanto", porque eles costumam marcar o trecho decisivo.
  • Elimine alternativas que apenas repetem a orientação geral do texto quando a pergunta pede a advertência que a restringe.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Sêneca está defendendo uma ideia (valorizar os próprios limites), mas coloca um “porém” no meio, fazendo uma ressalva. Ou seja, ele não abandona a ideia principal; só ajusta: diz que, mesmo dentro dos limites, é preciso cuidado, porque nem tudo que está ao nosso alcance é realmente bom.

De forma bem direta: você defende algo (“faça musculação”), mas insere um alerta (“cuidado com o exagero”). Não está negando a ideia inicial, só está colocando um freio, uma ressalva dentro dela.

Em resumo: ele mantém a tese, mas adiciona uma ADVERTÊNCIA dentro dela, e é justamente isso que o enunciado pede.

Quase 70% de erros, questão de interpretação nível FGV !!!!

Me sinto o próprio Sêneca acertando uma questao dessa kkkk

O pior eh nem saber o que a questao tah dizendo

Questão difícil... Mas os conectores concessivos podem ajudar no sentido da advertência referenciada pelo autor.

"Saibamos, no entanto, que essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vas." 

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