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Q3195364 Medicina
Em relação à fisiopatogenia e biomarcadores da cólera, assinale a alternativa correta:
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Tema central: fisiopatologia da cólera e “biomarcadores” úteis na prática. A Vibrio cholerae causa diarreia aquosa profusa (“água de arroz”) por ação da toxina colérica (CTX), que aumenta o cAMP na enterócitos, ativa o canal CFTR, promove hipersecreção de cloro e água e inibe a reabsorção de NaCl (NHE3). Não há invasão do epitélio, logo a mucosa permanece não inflamada.

Alternativa correta – A: a toxina colérica interfere na reabsorção de sódio e água, causando diarreia. Mecanismo: subunidade A da toxina ribosila Gsα → adenilato ciclase ↑ → cAMP ↑ → CFTR abre → secreção de Cl− e HCO3−; reabsorção de NaCl ↓. Resultado: grande perda hidro-eletrolítica. (Harrison’s; UpToDate; OMS)

Análise das incorretas:

B – Falso. Cultura de fezes (em TCBS) é o padrão-ouro, com boa sensibilidade se coletada precocemente. Testes rápidos de antígeno/PCR podem auxiliar em surtos, mas não substituem a cultura para confirmação e vigilância por tipagem. (OMS; Ministério da Saúde)

C – Falso. Dosagens de eletrólitos séricos (Na+, K+, HCO3−), ureia e creatinina são centrais no manejo: frequentes hipocalemia, acidose metabólica e distúrbios de sódio; guiam reposição (SRO/IV) e previnem IRA pré-renal. (UpToDate; OMS)

D – Falso. Muco e sangue nas fezes não são típicos da cólera, que é não invasiva. Fezes sanguinolentas sugerem Shigella, Entamoeba histolytica ou EIEC/EHEC. Na cólera, o achado clássico é diarreia aquosa abundante, sem tenesmo e sem febre alta. (Harrison’s)

E – Falso. Embora a hidratação seja o pilar, a antibioticoterapia em casos moderados a graves/confirmados reduz volume fecal e duração, além de encurtar eliminação do vibrião. Esquemas: azitromicina dose única (preferência), doxiciclina (adultos), ou eritromicina em gestantes/crianças, conforme resistência local. Zinco em crianças. (Diretrizes OMS 2023–2024)

Biomarcadores/prática: confirmação por cultura (ou PCR quando disponível); em campo, testes rápidos apoiam triagem. Para acompanhamento: eletrólitos, gasometria (acidose), creatinina/ureia (hipovolemia), hematócrito (hemoconcentração).

Dica de prova: palavras-chave que apontam cólera: “diarreia aquosa profusa”, “sem sangue”, “desidratação grave”. Em “fisiopatogenia”, associe toxina → cAMP → CFTR → secreção. Se a alternativa falar em “invasão” ou “muco/sangue”, pense em disenteria, não em cólera.

Fontes: OMS (Cholera guidelines), UpToDate (Cholera: pathogenesis, clinical features, diagnosis and treatment), Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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