Sobre os biomarcadores na shigelose, é correto afirmar que:

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Q3195363 Medicina
Sobre os biomarcadores na shigelose, é correto afirmar que:
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Tema central: biomarcadores e métodos diagnósticos na shigelose (infecção por Shigella), uma causa típica de diarreia inflamatória/disentérica com febre, dor abdominal e tenesmo. Em provas, diferencie marcadores de inflamação (leucócitos, calprotectina) de testes etiológicos (cultura, PCR).

Alternativa correta: D
A cultura de fezes é o padrão-ouro para o diagnóstico etiológico da shigelose, pois permite isolamento do agente, identificação da espécie/serogrupo e teste de sensibilidade aos antimicrobianos. Embora não seja o método mais rápido (geralmente 24–48h), é a referência para confirmação e vigilância. Métodos moleculares (NAAT/PCR) são mais ágeis e sensíveis, mas a cultura continua essencial. Referências: WHO (Guidelines for the control of shigellosis), UpToDate, Harrison’s.

Por que as demais estão erradas?

A) Leucócitos fecais indicam inflamação, não “biomarcador de Shigella”. Estão aumentados em outras diarreias invasivas (p.ex., Campylobacter, Salmonella, EHEC/EIEC). Logo, são inespecíficos e não permitem atribuir a etiologia à Shigella. Estratégia de prova: se o item sugere que algo inespecífico “é de Shigella”, desconfie.

B) Calprotectina fecal é um marcador de inflamação intestinal (neutrófilos), útil para diferenciar DIIs vs. diarreia não inflamatória. Não diferencia shigelose de outras diarreias infecciosas inflamatórias. UpToDate e Harrison’s reforçam sua baixa especificidade etiológica.

C) Pesquisa de antígenos de Shigella no soro não é método de rotina, nem o principal exame. A detecção de antígenos/genes, quando usada, é em fezes (EIA/NAAT). Sorologia/antigenemia tem baixa sensibilidade e valor limitado no diagnóstico agudo. Diretrizes da OMS e CDC não recomendam como teste padrão.

E) Anticorpos anti-Shigella têm papel restrito (pesquisa/epidemiologia, surtos) e surgem tardiamente; não servem para “forma assintomática” e não são úteis para confirmar casos agudos. Em clínica, não são recomendados para diagnóstico individual.

Dicas para a prova:
- Associe disenteria + marcadores inflamatórios fecais a diarreia invasiva; para etiologia, prefira cultura ou PCR em fezes.
- Itens que falam em “teste sérico” para Shigella costumam ser falsos.
- Pegadinha: a cultura é o padrão-ouro, mas não é “ultrarrápida”. Em muitos concursos, ainda assim é a opção correta por ser o método de referência e permitir antibiograma (OMS/UpToDate).

Resumo prático:
- Marcadores fecais (leucócitos, calprotectina/lactoferrina) = inflamação, não etiologia.
- Cultura de fezes = padrão-ouro; PCR = mais rápida/sensível, mas não substitui completamente a cultura para vigilância e sensibilidade.

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