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Q3195360 Medicina
A fisiopatologia da infecção pelo HIV-1 está fortemente associada à interação do vírus com correceptores específicos nas células imunes. A deleção genética do gene que codifica o correceptor CCR5 confere uma resistência natural à infecção pelo HIV-1. Qual é o principal efeito dessa deleção na infecção pelo HIV-1 e na progressão da doença?
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Tema central: correceptores do HIV-1 (especialmente CCR5 e CXCR4) e o impacto da mutação CCR5-Δ32 na entrada viral e na progressão da doença. O HIV-1 liga-se ao CD4, depois a um correceptor (geralmente CCR5 na fase inicial), permitindo a fusão mediada por gp41. Sem CCR5 funcional na superfície, as variantes R5-trópicas não conseguem entrar na célula.

Gabarito: A

Justificativa da correta (A): A deleção homozigota CCR5-Δ32 produz um receptor truncado que não é expresso na membrana. Isso bloqueia a entrada do HIV-1 R5-trópico (predominante na transmissão e fases iniciais), conferindo resistência natural à infecção. Heterozigotos têm menor expressão de CCR5, cursando com menor carga viral e progressão mais lenta, mas não resistência completa. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Pathogenesis of HIV); diretrizes OMS/Ministério da Saúde sobre uso de antagonistas de CCR5 (ex.: maraviroc) reforçam a centralidade do CCR5 na entrada viral.

Análise das incorretas:

  • B: “Impede completamente a replicação nas células dendríticas e previne Aids”. Exagero e conceito errado. A ausência de CCR5 não impede completamente a infecção, pois variantes X4-trópicas usam CXCR4. Além disso, o curso clínico não é universalmente prevenido se houver infecção por vírus não-R5.
  • C: “Aumenta susceptibilidade ao EBV”. Não há evidência consistente de maior risco para EBV. A literatura cita associação com formas graves de West Nile em CCR5-Δ32, mas a imunidade geral e desenvolvimento linfocitário são preservados.
  • D: “Heterozigose permite entrada via CXCR4 e infecção mais lenta”. A heterozigose realmente retarda a progressão por reduzir CCR5, mas não por “desviar” a entrada para CXCR4. Pelo contrário, a emergência de vírus X4 relaciona-se com pior prognóstico. O raciocínio de mecanismo está invertido.
  • E: “Reduz produção de T CD8+ e aumenta oportunistas iniciais”. A deleção de CCR5 não reduz produção de CD8+. Pode afetar quimiotaxia, mas não cursa com queda de linfócitos CD8 ou maior risco precoce de oportunistas.

Estratégia de prova: Atenção a palavras absolutas como “impede completamente” e a distinções homozigoto (resistência a R5) versus heterozigoto (progressão mais lenta). Lembre que a transmissão inicial é majoritariamente R5; menção a CXCR4 costuma sinalizar piora, não proteção.

Fontes rápidas: Harrison’s (cap. HIV/AIDS), UpToDate (HIV pathogenesis and coreceptors), OMS/Ministério da Saúde – notas sobre antagonistas de CCR5.

Resposta final: A.

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