A febre de Lassa é uma doença viral hemorrágica aguda causad...

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Q3195353 Medicina
A febre de Lassa é uma doença viral hemorrágica aguda causada pelo vírus Lassa, um arenavirus. Qual das seguintes alternativas descreve CORRETAMENTE a fisiopatologia dessa doença?
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Tema central: a febre de Lassa é uma febre hemorrágica viral por arenavírus endêmica na África Ocidental. Seu quadro decorre de replicação viral em células da imunidade inata, levando a disfunção imune e lesão endotelial, com extravasamento capilar e falência orgânica.

Alternativa correta: D — O vírus Lassa infecta preferencialmente macrófagos e células dendríticas. As proteínas virais (especialmente a nucleoproteína e a zinc protein) antagonizam o interferon e bloqueiam a maturação das DCs, gerando baixa ativação de linfócitos T, viremia elevada e liberação desregulada de citocinas. O resultado é dano endotelial difuso, aumento da permeabilidade vascular, hipovolemia/choque e manifestações hemorrágicas variáveis. Esse modelo imuno-patogênico é descrito em Harrison’s, UpToDate e diretrizes da OMS/CDC.

Estratégia de prova: busque pistas de não arbovirose (não há vetor artrópode), de reservatório roedor (Mastomys natalensis) e de imunoparalisia inicial (pouca resposta inflamatória eficaz com alta viremia). Hepatite fulminante e exantema não são eixos centrais.

Por que as demais estão incorretas?

A) Neurotropismo primário não é a regra. Meningite/encefalite podem ocorrer, mas não são o alvo principal nem explicam a gravidade típica, que deriva do comprometimento endotelial/imune.

B) A transmissão não é por mosquito. Ocorre por contato com excretas de roedores ou fluídos humanos (incluindo ambiente hospitalar). Classificar como arbovirose é uma armadilha clássica.

C) Embora possa haver elevação de transaminases (AST>ALT sugere gravidade), a doença não é tipicamente uma hepatite fulminante com icterícia marcante, como na febre amarela. Icterícia é infrequente na Lassa.

E) Exantema maculopapular e linfadenopatia não são características centrais da Lassa. O quadro típico inclui febre, fraqueza, dor retroesternal, faringite com exsudato, edema facial e, como sequela, perda auditiva neurossensorial; rash é incomum.

Aplicação clínica: Suspeite em febre aguda na África Ocidental com contato com roedores ou casos nosocomiais. Exames: RT-PCR e detecção de antígeno; hematócrito/plaquetas variáveis, AST elevada e proteinúria. Manejo: isolamento e ribavirina precoce (quando disponível), além de suporte hemodinâmico. (Fontes: OMS/WHO, CDC, UpToDate, Harrison’s)

Pegadinhas: não confundir com arboviroses; não assumir hepatite fulminante; não tomar rash/linfonodos como centrais. Busque a tríade: células da imunidade inatabloqueio de interferonlesão endotelial/permeabilidade.

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