A formação da música popular brasileira está intimamente re...
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Ano: 2026
Banca:
FURB
Órgão:
Fundação Cultura de Timbó - SC
Prova:
FURB - 2026 - Fundação Cultura de Timbó - SC - Instrutor de Música - Acordeon - Edital nº 5 |
Q4298029
História
Texto associado
O texto seguinte servirá de base para responder à
questão.
Do popular ao massivo na época dos registros
mecânicos
O marco da indústria fonográfica e da formação da
música popular industrializada no Brasil foram as
primeiras gravações realizadas em cilindros por
Frederico Figner, a partir de 1897, no Rio de Janeiro.
Depois de ter passado alguns anos comercializando os
fonógrafos de Thomas Edson e fonogramas importados,
esse imigrante tchecoslovaco de origem judaica passou
a contratar músicos populares como Cadete (Antônio da
Costa Moreira), Baiano (Manuel Pedro dos Santos) e a
banda do Corpo de Bombeiros, regida por Anacleto de
Medeiros, para registrar em cilindros modinhas, lundus,
valsas, polcas e outros gêneros musicais. Em março de
1900, Figner fundou a Casa Edison, destinada a
comercializar fonógrafos, gramofones, cilindros, discos
importados e fonogramas gravados por ele próprio
(TINHORÃO, 1981 e FRANCESCHI, 1984). A partir de
então, começou a formar-se um mercado de música
gravada no país, por meio do qual era veiculada, por
quase todo o território nacional, uma gama de gêneros
populares urbanos que se constituíram, especialmente
no Rio de Janeiro, em fins do século XIX e início do
século XX. Dentre eles destacaram-se o samba, a
marcha e o choro.
Aos poucos, esses gêneros foram se libertando dos seus
espaços tradicionais e ritualísticos e se integrando a um
novo circuito de produção e consumo por um processo
definido por Krausche como "apropriação capitalista da
canção" (1983: 11). Mesmo assim, especialmente o
samba, que se fixara como gênero a partir dos redutos
negros que se espalhavam pelos bairros pobres do Rio
de Janeiro como Saúde, Cidade Nova e, posteriormente,
pelos morros do Estácio, Mangueira e Favela, guardava
forte identidade com suas matrizes étnicas. Presente nos
catálogos das gravadoras desde 1911, esse gênero teve
grande destaque no mercado alguns anos depois com o
conhecido Pelo telefone, de Donga e Mauro Almeida,
lançado pela Casa Edson em 1917. Tratava-se, de fato,
de um partido-alto, criação coletiva de um grupo de
frequentadores da casa da baiana Hilária Batista de
Almeida, a famosa Tia Ciata.
Por outro lado, com a expansão do mercado fonográfico,
entram no país gravações de gêneros estrangeiros como
fox-trots, one-steps, ragtime, charleston, entre outros,
dando início à hibridação da música local com a
estrangeira (TINHORÃO, 1990).
A partir de 1904, passaram a predominar no Brasil as
gravações em disco. Trata-se de um sistema
desenvolvido pelo alemão, radicado nos Estados Unidos,
Emile Berliner, que possibilitava a produção de matrizes
para a tiragem de milhares de cópias. Os sons faziam
vibrar uma agulha presa a um diafragma que feria a
superfície de um disco de zinco coberto por uma
substância gordurosa. Era o sistema mecânico de
gravação. Desse disco, tirava-se um negativo de metal,
um molde que permitia a reprodução das cópias
(FRANCESCHI, 1984). A grande dificuldade encontrada
por Berliner era impedir a distorção dos sons
reproduzidos, uma vez que a velocidade da rotação
tende a diminuir à medida que a agulha se desloca da
periferia para o centro do disco. Ao mesmo tempo, era
necessário garantir um período razoável de execução.
As empresas fonográficas da época definiram
velocidades variadas que oscilaram entre 70 e 82
rotações por minuto para discos de 7, 10 e 12 polegadas e diâmetro, o que permitia durações de execução entre
3 e 4 minutos e meio. [...]
A partir das suas relações com a indústria fonográfica
nascente e com o público de música popular, o artista
começava a adquirir certas habilidades para reconhecer
as regras do mercado musical em formação e orientar
suas práticas de artista. Talvez pudéssemos falar da
configuração de uma espécie de habitus¹ do músico
popular. Já nos primeiros anos do século XX, podia-se
perceber entre músicos manifestações da consciência
dos direitos autorais e conexos relativos à sua arte. A
iniciativa do artista de circo, compositor e intérprete
Eduardo das Neves, tomada por volta de 1902, de exigir
da Casa Edson os seus direitos e a sua contratação foi
um marco dessa tomada de consciência (TINHORÃO,
1981). Ao mesmo tempo, tornava-se comum a prática da
apropriação da autoria alheia. É atribuída a Sinhô a frase
emblemática: "Samba é que nem passarinho; é de quem
pegar primeiro".
Mas a interiorização, por parte do músico, das regras
que regem a produção e o consumo de música popular
vai se refletir até mesmo nos aspectos formais da
canção. O compositor popular desenvolve habilidades
para produzir canções com letras concisas, andamento
dinâmico e melodias simples capazes de serem
memorizadas com facilidade pelo público ouvinte. Sinhô
talvez tenha sido o que mais se destacou por tais
habilidades. Como diz Tatit, "Sinhô chegou a um modelo
de melodia simples e direto que caía no gosto do público
com a eficácia de um jingle" (1996: 34).
Todos esses aspectos eram sinais de que, já nas
primeiras décadas do século XX, estavam em formação
no Brasil uma cultura e uma música popular de massa.
ZAN, José Roberto. Música popular brasileira, indústria cultural e
identidade. EccoS Revista Científica, São Paulo, v. 3, n. 1, p.
105-122, jun. 2001. Disponível em:
https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=71530108
A formação da música popular brasileira está
intimamente relacionada ao desenvolvimento da indústria
e do mercado fonográficos no país. Considere os
acontecimentos a seguir:
1.Fundação da Casa Edison, destinada a comercializar fonógrafos, gramofones, cilindros, discos importados e fonogramas.
2.Primeiras gravações realizadas em cilindros por Frederico Figner, no Rio de Janeiro.
3.Entrada, no Brasil, do sistema elétrico de registros sonoros.
4.Lançamento de Pelo telefone , de Donga e Mauro Almeida.
5.Início do predomínio, no Brasil, das gravações em disco, sistema desenvolvido por Emile Berliner.
Assinale a alternativa que apresenta a ordem cronológica correta desses acontecimentos:
1.Fundação da Casa Edison, destinada a comercializar fonógrafos, gramofones, cilindros, discos importados e fonogramas.
2.Primeiras gravações realizadas em cilindros por Frederico Figner, no Rio de Janeiro.
3.Entrada, no Brasil, do sistema elétrico de registros sonoros.
4.Lançamento de Pelo telefone , de Donga e Mauro Almeida.
5.Início do predomínio, no Brasil, das gravações em disco, sistema desenvolvido por Emile Berliner.
Assinale a alternativa que apresenta a ordem cronológica correta desses acontecimentos: