De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Obesidade (2016),...

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Q4233754 Medicina
De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Obesidade (2016), a obesidade constitui doença crônica multifatorial associada a mecanismos neuroendócrinos, inflamatórios e metabólicos complexos. Em relação à fisiopatologia da obesidade, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é reconhecer que, na obesidade, a expansão do tecido adiposo não é apenas aumento de massa gordurosa: ela se associa a alterações imunometabólicas, infiltração inflamatória e mudança do perfil de adipocinas, com aumento de mediadores pró-inflamatórios. Esse critério diferencia a alternativa C das demais e sustenta a ligação com resistência insulínica e disfunção metabólica.

Tema central: Inflamação crônica na obesidade
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a expansão do tecido adiposo na obesidade não ocorre exclusivamente por hipertrofia adipocitária. Pode haver hipertrofia e hiperplasia, além de hipóxia tecidual relativa, infiltração inflamatória e mudança do perfil de adipocinas. O erro médico é tratar a obesidade como processo apenas estrutural, ignorando o componente imunometabólico local.
B
Errada
Está errada porque resistência à leptina significa redução da resposta central ao sinal anorexígeno, apesar de níveis circulantes frequentemente elevados. Portanto, não há aumento da sensibilidade hipotalâmica nem redução sustentada da ingestão alimentar por esse mecanismo. O critério decisivo aqui é a fisiologia neuroendócrina da leptina na obesidade.
C
Certa
A alternativa C está correta porque descreve o mecanismo fisiopatológico consolidado da obesidade: o tecido adiposo expandido não é inerte, mas um órgão endócrino e imunometabólico que sofre remodelamento, recruta células inflamatórias e aumenta a produção de mediadores pró-inflamatórios. Esse estado inflamatório de baixo grau interfere na sinalização da insulina e favorece resistência insulínica, além de disfunção metabólica sistêmica.
D
Errada
Está errada porque a adiponectina tende a estar reduzida na obesidade, e não aumentada. Além disso, sua ação habitual é anti-inflamatória e associada a maior sensibilidade insulínica, de modo que ela não se relaciona diretamente ao agravamento da resistência insulínica. A alternativa inverte o comportamento e o efeito fisiopatológico dessa adipocina.
E
Errada
Está errada porque a obesidade não é apenas um marcador de correlação epidemiológica; ela participa causalmente de alterações cardiovasculares por mecanismos metabólicos, inflamatórios, endoteliais e hemodinâmicos. Negar essa causalidade contraria a fisiopatologia cardiovascular da obesidade.
Pegadinha da questão
A banca explorou inversões conceituais clássicas: leptina elevada não significa sensibilidade aumentada, adiponectina na obesidade não costuma aumentar, e o termo “exclusivamente” na alternativa A exclui o componente inflamatório do tecido adiposo, tornando-a falsa.
Dica para questões semelhantes
  • Em obesidade, pense no tecido adiposo como órgão endócrino e imunometabólico, não como depósito passivo de gordura.
  • Se a alternativa disser que a obesidade cursa com citocinas pró-inflamatórias e resistência insulínica, ela está alinhada com a fisiopatologia central.
  • Leptina na obesidade costuma estar elevada com resistência central ao seu efeito; adiponectina costuma estar reduzida e é insulino-sensibilizante.
  • Desconfie de alternativas que neguem papel causal da obesidade nas alterações metabólicas e cardiovasculares.

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