As monarquias centralizadas da França, Inglaterra e Espanha...

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Q3878314 História
As monarquias centralizadas da França, Inglaterra e Espanha representavam uma ruptura decisiva com a soberania piramidal e parcelada de formações sociais medievais, com seus sistemas de propriedade e de vassalagem. A controvérsia sobre a natureza histórica destas monarquias tem persistido desde que Engels, em uma famosa máxima, declarou-as produto de um equilíbrio de classe entre a antiga nobreza feudal e a nova burguesia urbana: “excepcionalmente, contudo, há períodos em que as classes em luta se equilibram, de tal modo, que o poder de Estado, pretenso mediador, adquire momentaneamente um certo grau de autonomia em relação a elas...” (Anderson, 2004, p. 15).

É correto afirmar que a conceituação de Anderson (2004) sobre o Estado Absolutista é um
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O enunciado contrapõe a leitura de Engels à conceituação de Anderson; a resolução dependia de reconhecer qual interpretação do absolutismo era atribuída a este último, o que afasta as alternativas que o tratam como burguês, capitalista ou árbitro neutro entre classes.

Tema central: Estado absolutista em Anderson
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque define o absolutismo como aparato capitalista e como expressão da substituição da nobreza pela burguesia. Isso contraria diretamente Anderson, que não concebe o Estado absolutista como capitalista nem como forma de dominação burguesa.
B
Errada
Está errada porque retoma a leitura do absolutismo como equilíbrio entre nobreza e burguesia e ainda atribui à burocracia a função de preparar o domínio burguês. Anderson rejeita essa interpretação: para ele, o absolutismo reforça a dominação feudal, não opera como mecanismo de transição burguesa.
C
Errada
Está errada porque apresenta o absolutismo como instrumento da classe média nascente contra o feudalismo. Em Anderson, ocorre o contrário: o absolutismo não combate o feudalismo em nome da burguesia, mas reacomoda e fortalece o poder feudal.
D
Certa
A alternativa D está correta porque expressa a tese central de Anderson: o absolutismo não representa um Estado burguês nem uma instância neutra entre classes, mas a reorganização e o fortalecimento do aparelho de dominação feudal após a crise do feudalismo medieval. A centralização monárquica não altera, nessa interpretação, a base social aristocrático-feudal da dominação; sua função é preservar a sujeição das massas camponesas.
E
Errada
Está errada porque descreve o absolutismo como árbitro entre aristocracia e burguesia nascente. Essa é justamente a leitura associada à máxima de Engels mencionada no enunciado e recusada por Anderson como definição adequada da natureza histórica do Estado absolutista.
Pegadinha da questão
A confusão real era tomar a referência à tese de Engels, citada no enunciado, como se fosse a posição defendida por Anderson.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão citar um autor para apresentar uma controvérsia, separe a tese mencionada da posição efetivamente atribuída ao autor cobrado.
  • Em Anderson, centralização monárquica não equivale a Estado burguês: o critério decisivo é a permanência da base social aristocrático-feudal.
  • Se a alternativa tratar o absolutismo como árbitro neutro, instrumento burguês ou etapa capitalista, ela contraria a formulação de Anderson.

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