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Q3878300 História
"Talvez a lição mais importante trazida pela arqueologia amazônica nas últimas décadas tenha sido mostrar que não existe na região nenhuma barreira natural à ocupação humana, à inovação e à invenção. Ao contrário, se fizermos uma história comparativa dos povos ameríndios, verificaremos que algumas das plantas mais importantes domesticadas no Novo Mundo o foram na Amazônia ou em suas adjacências nas terras baixas. O mesmo vale para a cerâmica, como já vimos. Solos de terra preta indicam a capacidade de modificação da paisagem, e a presença de sítios de grande porte interligados por redes de estradas mostram que houve períodos de adensamento demográfico com algum tipo de hierarquia. A arqueologia nos revela hoje que nada era impeditivo na Amazônia" (Neves, 2022.p. 188-189).

Ao investigar a História da Amazônia antiga, por meio da arqueologia, é correto afirmar que Neves (2022) legitima
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era perceber que o trecho de Neves recusa a ideia de incapacidade natural da Amazônia e, por isso, se opõe a leituras deterministas ou etapistas sobre os povos amazônicos.

Tema central: Crítica historiográfica ao determinismo sobre a Amazônia antiga
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque o trecho de Neves legitima uma leitura que recusa medir a história dos povos amazônicos por um esquema evolucionista em que o Estado seria a etapa necessária e natural de toda sociedade. Ao destacar inovação, invenção, domesticação de plantas, cerâmica, terra preta, grandes sítios, estradas e algum tipo de hierarquia, o texto mostra capacidade histórica própria e nega explicações de atraso por limitação ambiental. Isso é compatível, nos termos da questão, com a crítica à ideia de emergência do Estado como caminho natural da história humana.
B
Errada
O trecho não menciona 'princípio da incompletude' nem relaciona a interpretação da Amazônia às obras de Humboldt e Martius. O erro é atribuir ao texto um referencial que não aparece na passagem.
C
Errada
Está errada porque o texto faz o oposto do degeneracionismo: afirma capacidade de inovação, domesticação de plantas, produção cerâmica, modificação da paisagem e adensamento demográfico. Além disso, não há no trecho qualquer vínculo entre variedade linguística e degeneracionismo.
D
Errada
Está errada porque a passagem apresenta a Amazônia como espaço de inovação e complexidade próprias, não como área subordinada a um centro andino de irradiação cultural. O sentido do texto contraria essa dependência de um foco externo.
E
Errada
Está errada por contradição direta com os dados arqueológicos citados. O trecho afirma domesticação de plantas, cerâmica, transformação da paisagem, grandes sítios, redes de estradas e hierarquia, o que é incompatível com uma visão fundada na ausência de agricultura, organização e ação histórica relevante.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi tomar os indícios de complexidade social e hierarquia como defesa de um modelo evolucionista rumo obrigatório ao Estado, quando o trecho justamente rejeita a ideia de incapacidade natural da Amazônia e não exige o Estado como medida do valor histórico dessas sociedades.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto destaca inovação, domesticação, obras humanas e hierarquia, ele está afastando teses de incapacidade ambiental ou atraso necessário.
  • Se a alternativa subordina a Amazônia a um centro civilizacional externo, confronte isso com o que o texto diz sobre autonomia inovadora amazônica.
  • Não transforme menção a hierarquia em prova de evolução linear para o Estado; isso só vale se o texto disser isso, e aqui ele não diz.

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