Para dar mais verossimilhança ao seu relato, Raul Seixas re...
Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:
Eu nasci há dez mil anos atrás
Eu nasci há dez mil anos atrás
e não tem nada nesse mundo que eu não saiba de mais
Eu vi Cristo ser crucificado
O amor nascer e ser assassinado
Eu vi as bruxas pegando fogo para pagarem seus pecados,
Eu vi,
Eu vi Moisés cruzar o mar vermelho
Vi Maomé cair na terra de joelhos
Eu vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho
Eu vi,
Eu vi as velas se acenderem para o Papa
Vi Babilônia ser riscada do mapa
Vi conde Drácula sugando o sangue novo
e se escondendo atrás da capa
Eu vi,
Eu vi a arca de Noé cruzar os mares
Vi Salomão cantar seus salmos pelos ares
Eu vi Zumbi fugir com os negros para floresta
pro quilombo dos palmares
Eu vi,
Eu vi o sangue que corria da montanha
quando Hitler chamou toda a Alemanha
Vi o soldado que sonhava com a amada numa cama de campanha
Eu li,
Eu li os símbolos sagrados de Umbanda
Eu fui criança para poder dançar ciranda
E, quando todos paraguejavam contra o frio,
eu fiz a cama na varanda
Eu tava junto com os macacos na caverna
Eu bebi vinho com as mulheres na taverna
E quando a pedra despencou da ribanceira
Eu também quebrei a perna
Eu também,
Eu fui testemunha do amor de Rapunzel
Eu vi a estrela de Davi brilhar no céu
E pra aquele que provar que eu estou mentindo
eu tiro o meu chapéu
Raul Seixas
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Tema central da questão: A questão exige identificar figuras de linguagem, mais especificamente aquela que se manifesta pela repetição de uma palavra no início dos versos, típica da anáfora.
Justificativa da alternativa correta:
A alternativa A) Anáfora está correta. Anáfora é uma figura de linguagem que consiste na repetição de uma ou mais palavras no início de versos ou frases consecutivas.
No texto, a repetição constante da palavra “Eu” nos inícios dos versos (“Eu nasci”, “Eu vi”, “Eu li”, “Eu fui”) exemplifica exatamente essa figura. Essa técnica confere ênfase ao papel do eu-lírico, reforçando sua suposta participação nas situações descritas. Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), a anáfora contribui para a coesão e musicalidade do texto.
Análise das alternativas incorretas:
B) Anacoluto: Incorreta. O anacoluto ocorre quando há uma quebra na estrutura normal da frase, deixando um termo solto, sem ligação sintática. Ex: “A vida, eu não sei como explicar.” Não há esse fenômeno no texto analisado.
C) Sinestesia: Incorreta. Sinestesia é a mistura de sensações relacionadas a diferentes sentidos (ex: “um olhar doce”). Não ocorre mistura sensorial nos trechos apresentados.
D) Antítese: Incorreta. Antítese é o contraste de ideias opostas (ex: “tristeza e alegria”). No texto, não se observa essa oposição; há uma soma de fatos e experiências, não contraste.
E) Eufemismo: Incorreta. Eufemismo substitui uma expressão por outra mais branda (ex: “partiu” em vez de “morreu”). O texto não emprega esse recurso para suavizar afirmações.
Estratégia para identificar esse tipo de questão:
Sempre que notar repetição de palavras no início de versos ou frases, lembre-se do conceito de anáfora. Atenção: figuras de linguagem têm funções diferentes e nomes semelhantes podem confundir! Tenha atenção às palavras-chave do enunciado: “repetição no começo dos versos”.
Resumo:
A resposta correta é A) Anáfora, pois o texto apresenta repetição sistemática da palavra “Eu” no início dos versos, recurso típico dessa figura de linguagem, que serve para enfatizar e estruturar a narrativa do eu-lírico.
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Usos da anáfora
Essa figura é muito comum em textos poéticos ou em músicas, quando os versos começam com a mesma palavra ou expressão, "
ANÁFORA, consiste em repetir palavras em geral, inclusive conjunção.
GABARITO LETRA A
Anáfora > Repetição de uma mesma palavra/expressão no início de orações, versos, períodos.
Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei ...
Anacoluto > Interrupção da estrutura sintática da frase, uma "quebra" na frase.
Esse chapéu que esta na moda, você que gosta de chapéu devia comprar um.
Esse chapéu que esta na moda> espera um complemento que não existe, fica solto na frase.
Sinestesia> Mistura dos sentidos, sensações (tato, olfato, audição, paladar e visão.
- Júlia tinha um cheiro doce.
cheiro> olfato doce> paladar
- Ela me deu aquele olhar frio.
olhar> visão frio> tato
Antítese> Palavras que se opõem quanto ao sentido.
- Uma noite longa pra uma vida curta.
Eufemismo> uso de palavra/expressão para amenizar suavizar o sentido de outra.
- Vovô foi jogar xadrez com São Pedro. (Vovô morreu)
- Hoje estou naqueles dias. (Estou menstruada).
Anáfora: repetição de uma ou mais palavras
Antitese: termos com sentidos opostos. ex: ódio e amor
Anacoluto: mudança da estrutura da frase
Sinestesia: sensação por órgãos de sentidos diferentes. ex: olhar frio
Eufemismo: suavizar, amenizar ex: fulano foi descansar (morreu)
GABARITO: LETRA A
Anáfora:
Repetição de vocábulo ou expressão no início de cada verso ou frase.
- “ Quando não tinha nada, eu quis / Quando tudo era ausência, esperei / Quando tive frio, tremi / Quando tive coragem, liguei…” (Chico César)
- “Era uma estrela tão alta! / Era uma estrela tão fria! / Era uma estrela sozinha / Luzindo no fim do dia.” (Manoel Bandeira)
OBS: Não confunda anáfora, figura de linguagem, com anáfora, processo de coesão. Nesta, um vocábulo tem o papel de retomar outro já mencionado.
FONTE: A gramática para concursos públicos / Fernando Pestana. – 2. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2015.
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