O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Mulheres são mais empáticas que os homens? O que
diz a ciência
Durante séculos, grandes realizações femininas foram
vistas como exceções àquilo que se supunha ser a
natureza das mulheres, como se liderança e exercício do
poder pertencessem essencialmente ao universo
masculino. Embora transformações sociais tenham
ocorrido, persistem estereótipos que associam a empatia
à feminilidade e a dominância ou assertividade ao
masculino. Assim, comportamentos semelhantes
continuam a receber avaliações distintas conforme o
gênero de quem os manifesta.
A empatia é compreendida como a capacidade de
perceber pensamentos e sentimentos alheios e de
responder a eles de modo adequado. Pode assumir
dimensão cognitiva, relacionada ao reconhecimento das
emoções e à adoção da perspectiva do outro, e
dimensão afetiva, que envolve reação emocional diante
das experiências de alguém. Pesquisas mostram que,
em média, mulheres tendem a obter pontuações mais
altas em instrumentos que buscam mensurar essa
habilidade, o que levou parte da comunidade científica a
investigar possíveis fundamentos biológicos para tal
diferença.
Alguns estudos sugerem que a exposição a hormônios
durante a gestação influenciaria o desenvolvimento de
determinadas competências. Níveis mais elevados de
certos hormônios no período pré-natal foram associados
a melhor desempenho em tarefas de identificação de
padrões e, de forma inversa, a resultados mais baixos em testes de empatia. Ainda assim, admite-se que
habilidades como empatia e sistematização resultam de
interação complexa entre fatores biológicos e sociais,
não podendo ser explicadas por um único elemento.
Outros pesquisadores contestam interpretações
deterministas. Levantamentos realizados em diversos
países indicam que as diferenças médias entre homens
e mulheres são relativamente pequenas e variam
conforme o contexto cultural. Além disso, a variação
interna de cada grupo costuma ser maior do que a
diferença entre eles. Análises com bebês não
identificaram distinções significativas quanto à atenção
às expressões faciais ou à sensibilidade ao choro alheio,
o que enfraquece a ideia de predisposição inata
diferenciada por sexo.
Estudos genéticos de grande escala apontam que
fatores hereditários explicam apenas parte reduzida da
variação empática entre indivíduos e não apresentam
vínculo direto com o sexo. Esses achados reforçam a
importância do ambiente e das experiências sociais no
desenvolvimento dessa capacidade.
Desde a infância, meninas frequentemente são
incentivadas a valorizar emoções e a priorizar
necessidades alheias, enquanto meninos tendem a ser
orientados para atividades técnicas ou instrumentais. A
repetição dessas expectativas ao longo do tempo
contribui para moldar comportamentos. Pesquisas
também indicam que o exercício do poder pode diminuir
a sensibilidade empática, aspecto relevante em
contextos marcados por desigualdades históricas de
autoridade.
A empatia, contudo, mostra-se uma habilidade passível
de desenvolvimento. Estudos neurológicos demonstram
que homens e mulheres apresentam respostas cerebrais
semelhantes diante de estímulos emocionais, embora
diferenças apareçam quando avaliam a si próprios por
meio de questionários. Quando informados de que
homens também podem ser sensíveis e cuidadosos,
seus resultados tendem a se aproximar dos das
mulheres. Incentivos externos igualmente aumentam o
desempenho empático em ambos os grupos, o que
indica influência das expectativas sociais e da motivação.
Experimentos revelam que diferenças desaparecem
conforme as condições de estímulo. Em determinadas
tarefas de inferência emocional, mulheres apresentam
maior precisão sobretudo quando são estimuladas a
refletir previamente sobre seus próprios sentimentos; na
ausência desse estímulo, a discrepância não se mantém.
Esses dados sugerem que avaliações baseadas em
autorrelato estão sujeitas a vieses sociais.
Observa-se, entretanto, mudança gradual na valorização
das habilidades emocionais. A ampliação da participação
masculina em responsabilidades de cuidado e a revisão
de modelos tradicionais de masculinidade indicam
transformações em curso. O conjunto das evidências
sugere que a empatia não constitui atributo rigidamente
determinado pelo sexo, mas capacidade desenvolvida ao
longo da vida, influenciada por fatores biológicos, sociais
e culturais, bem como pelas expectativas presentes e cada contexto.
A empatia é compreendida como a capacidade de
perceber pensamentos e sentimentos alheios e de
responder "a eles" de modo adequado.
Assinale a alternativa CORRETA quanto à reescrita do
trecho destacado com a devida colocação pronominal.
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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