No trecho do último parágrafo Ainda que promovam maior prox...
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Ano: 2026
Banca:
Instituto Legalle
Órgão:
Prefeitura de Toropi - RS
Provas:
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Q4410935
Português
Texto associado
As mediações urbanas nas redes curtas de
comercialização agroalimentar
As transformações recentes nas formas de produção,
circulação e consumo de alimentos têm recolocado no
centro do debate as relações entre agricultor e
consumidor, cidade e campo, especialmente no que se
refere às chamadas redes curtas de comercialização
agroalimentar (RCCs). Na literatura nacional e em língua
estrangeira, essas redes são frequentemente apresentadas
como alternativas ao sistema agroalimentar hegemônico
(circuitos agroalimentares longos), associadas à
valorização da agricultura familiar, à agroecologia e à
soberania alimentar, sobretudo por sua capacidade de
reconectar produção e consumo e de gerar efeitos
positivos no desenvolvimento rural. No entanto, tais
abordagens tendem a enfatizar os impactos dessas
iniciativas no meio rural, sem problematizar de forma mais
aprofundada as mediações urbanas (especialmente as
demandas, discursos e critérios de qualidade formulados
por consumidores e instituições situadas nas cidades) que
participam ativamente da constituição e da consolidação
dessas redes.
Diversos estudos têm apontado que as RCCs não se
estruturam apenas a partir da iniciativa dos agricultores,
mas emergem de um contexto mais amplo de crise de
confiança nos sistemas agroalimentares industrializados,
especialmente nos grandes centros urbanos.
Preocupações com saúde, qualidade dos alimentos,
impactos ambientais e ética na produção impulsionam
consumidores urbanos, movimentos sociais, organizações
não governamentais e instituições acadêmicas a buscar
formas alternativas de abastecimento, criando demandas
específicas que passam a orientar/impor novas práticas
produtivas no meio rural. Nesse sentido, o urbano deixa
de ser apenas destino do alimento e passa a atuar como
instância produtora de discursos, normas e expectativas
que reconfiguram o campo.
A literatura internacional sobre as RCCs reconhece
que essas iniciativas operam em espaços socialmente
construídos, atravessados por relações de poder e por
seletividades de acesso, que condicionam quem pode
participar, consumir e se beneficiar desses circuitos. Ainda
que promovam maior proximidade entre produtores e
consumidores, tais redes tendem a se estruturar a partir de
demandas urbanas específicas, atendendo
prioritariamente segmentos das classes medias e
reproduzindo desigualdades alimentares e territoriais.
Nesse sentido, parte da literatura crítica alerta para o risco
de uma moralização do consumo, na qual a construção de
sistemas alimentares considerados mais justos e
sustentáveis e deslocada para o plano das escolhas individuais, sem o enfrentamento das estruturas sociais e
econômicas que sustentam a exclusão alimentar das
classes populares.
Fonte ARCE MATOS, W. E.; DINIZ, R. F.; LOBATO, M M Sistemas
agroalimentares na Amazônia: espaços-tempos híbridos e interconexões
nas redes cuftas de comercialização em Manaus. Revista Brasileira de
Gestão e Desenvolvimento Regional, Taubate, v.22, n.2,2026 (com
adaptações).
No trecho do último parágrafo Ainda que
promovam maior proximidade entre produtores e
consumidores, tais redes tendem a se estruturar a
partir de demandas urbanas específicas..., o conectivo
sublinhado estabelece uma relação de sentido de: