J.R.F., menino de 4 anos, previamente hígido, é trazido ...

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Q3994219 Medicina
    J.R.F., menino de 4 anos, previamente hígido, é trazido à emergência por febre alta (40 °C) com início há 12 horas. No exame, encontra-se taquicárdico (FC: 165 bpm), com enchimento capilar > 4 segundos, extremidades frias e pulso periférico fino. A pressão arterial está dentro dos parâmetros normais para a idade. Não há evidências de sobrecarga hídrica. O hospital dispõe de unidade de terapia intensiva pediátrica com acesso a suporte avançado. Qual deve ser a conduta inicial mais apropriada? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é o reconhecimento de choque pediátrico compensado: taquicardia importante, enchimento capilar > 4 segundos, extremidades frias e pulso fino indicam hipoperfusão mesmo com pressão arterial normal, que pode permanecer preservada até fases tardias. Como não há sinais de sobrecarga hídrica, o gabarito é a expansão volêmica inicial em bolus de 10–20 mL/kg com reavaliação contínua.

Tema central: Choque séptico compensado
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque fluidos de manutenção não tratam choque compensado. O caso mostra hipoperfusão por taquicardia, enchimento capilar prolongado, extremidades frias e pulso fino. Em pediatria, pressão arterial normal não exclui choque, já que a hipotensão é achado tardio.
B
Errada
Incorreta porque vasopressor antes da expansão volêmica não é a melhor conduta inicial quando não há sobrecarga hídrica. Aqui, o problema imediato é hipoperfusão com provável necessidade de reposição intravascular; vasoativo pode ser necessário depois, se houver refratariedade ou limitação à expansão.
C
Errada
Incorreta porque a decisão inicial é clínica e não depende de lactato. O enunciado já fornece sinais suficientes de choque compensado, e aguardar confirmação laboratorial atrasaria a ressuscitação hemodinâmica.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o caso descreve hipoperfusão periférica clinicamente evidente e ausência de sobrecarga volêmica. Nessa situação, a conduta inicial apropriada é administrar cristalóide isotônico em alíquotas de 10–20 mL/kg, com reavaliação seriada da perfusão e interrupção se surgirem sinais de congestão. A pressão arterial normal não exclui choque em pediatria e não deve atrasar a ressuscitação.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa ideia de que pressão arterial normal significa estabilidade hemodinâmica. Aqui, há múltiplos sinais periféricos de hipoperfusão, o que caracteriza choque compensado e exige bolus com reavaliação.
Dica para questões semelhantes
  • Em pediatria, não espere hipotensão para reconhecer choque; valorize sinais periféricos de hipoperfusão.
  • Se houver choque clínico sem sinais de sobrecarga hídrica, a conduta inicial é bolus de 10–20 mL/kg com reavaliação após cada alíquota.
  • Não condicione o início da ressuscitação a exames laboratoriais quando o quadro clínico já define hipoperfusão.
  • Considere vasoativo como complemento em choque persistente ou quando houver limitação para mais fluidos, não como substituto da expansão inicial.

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