Parágrafo de referência para responder à questão. “O sonho ...
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Ano: 2026
Banca:
FSADU
Órgão:
Prefeitura de Buriticupu - MA
Prova:
FSADU - 2026 - Prefeitura de Buriticupu - MA - Professor Ensino Fundamental Nível – II - Anos Finais – 6º ao 9º Ano - Língua Inglesa |
Q4345109
Português
Texto associado
Texto de referência para responder à questão.
O sonho lunar e as urgências terrestres
[...]
Durante décadas, a expressão "vender terreno
na Lua" foi sinônimo universal de golpe, o exemplo
máximo do estelionato praticado por vigaristas contra
incautos sonhadores. Oferecer a posse do
inalcançável era a definição clássica de enganação.
Por isso, não deixa de ser curioso — e, até certo
ponto, irônico — o anúncio da SpaceX, empresa
comandada pelo trilionário Elon Musk, de que a
prioridade de seus esforços espaciais se voltará para
a construção de uma cidade na Lua.
[...]
Para além do deslumbramento com foguetes
reutilizáveis e bases pressurizadas, o anúncio de Elon
Musk provoca a sociedade a uma reflexão ética sobre
o destino dos recursos globais e a própria natureza
das aspirações. Além de todos os problemas da
sociedade, guerras e conflitos cada vez mais tensos e
a aceleração da crise climática, que já impõe perdas
irreversíveis a populações inteiras, observa-se uma
desconexão gritante de prioridades.
O investimento maciço na colonização da Lua,
um local totalmente hostil e inóspito à vida, num
momento em que a governança global falha em
garantir o básico — água, alimento e segurança —
para bilhões de pessoas, soa como uma dissonância
cognitiva em escala planetária. Busca-se oxigênio na
Lua enquanto deixa-se o ar irrespirável na Terra.
Não se trata de negar o valor da exploração
espacial. A ciência, a tecnologia de materiais e as
telecomunicações devem muito à corrida para o
cosmos. Mas é gritante o contraste entre a
sofisticação da engenharia necessária para manter a
vida no vácuo espacial e a incapacidade política de
garantir a sobrevivência digna em ecossistemas
abundantes na Terra.
Há, além disso, um perigo moral quando a
colonização de outros mundos passa a ser vendida —
implícita ou explicitamente — como um "plano B" para
uma elite ou como uma rota de fuga de um planeta
que nós mesmos estamos exaurindo, conforme o
próprio Musk já avisou que pretende. A fascinação por
morar em cidades dentro de redomas de vidro em
Marte ou na Lua não pode servir de cortina de fumaça
para o fracasso na gestão da Terra.
Antes da autoproclamação de que somos
uma espécie multiplanetária, há o dever inadiável de
provar que somos capazes de ser uma espécie
sustentável. De que adianta exportar a presença
humana para as estrelas se levarmos na bagagem os
mesmos vícios de desigualdade, predação e
negligência que ameaçam a casa original?
O sonho de caminhar em outros mundos é
legítimo e inspirador, mas ele não deve atropelar a
responsabilidade presente. A Lua pode esperar; a
fome, a crise climática e as guerras que assolam este
pálido ponto azul, não. A verdadeira fronteira a ser
conquistada não está a 384 mil quilômetros de
distância, mas aqui mesmo, na resolução das mazelas
que ainda nos prendem ao chão. Antes de olharmos
para o céu com cobiça imobiliária, precisamos resolver
a Terra com urgência humanitária.
https://www.correiobraziliense.com.br/Acesso em: 14 fev.2026.
Parágrafo de referência para responder à questão.
“O sonho de caminhar em outros mundos é legítimo e inspirador, mas ele não deve atropelar a responsabilidade presente. A Lua pode esperar; a fome, a crise climática e as guerras que assolam este pálido ponto azul, não. A verdadeira fronteira a ser conquistada não está a 384 mil quilômetros de distância, mas aqui mesmo, na resolução das mazelas que ainda nos prendem ao chão. Antes de olharmos para o céu com cobiça imobiliária, precisamos resolver a Terra com urgência humanitária.”
“A Lua pode esperar; a fome, a crise climática e as guerras que assolam este pálido ponto azul, não.”
Nesse trecho, preservando-se a relação semântica, o ‘ponto e vírgula’ poderia ser substituído por
“O sonho de caminhar em outros mundos é legítimo e inspirador, mas ele não deve atropelar a responsabilidade presente. A Lua pode esperar; a fome, a crise climática e as guerras que assolam este pálido ponto azul, não. A verdadeira fronteira a ser conquistada não está a 384 mil quilômetros de distância, mas aqui mesmo, na resolução das mazelas que ainda nos prendem ao chão. Antes de olharmos para o céu com cobiça imobiliária, precisamos resolver a Terra com urgência humanitária.”
“A Lua pode esperar; a fome, a crise climática e as guerras que assolam este pálido ponto azul, não.”
Nesse trecho, preservando-se a relação semântica, o ‘ponto e vírgula’ poderia ser substituído por