A língua e a linguagem apresentam diversas concepções, tipo...

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Q3126085 Português
A língua e a linguagem apresentam diversas concepções, tipos e variações em seu uso e discursos. Eis aqui alguns exemplos de uso da língua nas mais variadas situações. Assinale o comentário correto quanto aos exemplos abaixo:
1- Oxente, hoje eu vou arrodear a praça e comprar chup chup;
2- Paulo leu Paulo Coelho ano passado;
3- “Deixe-me verificar os números” o diálogo da questão 2, entre chefe e empregado.
Alternativas

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Tema central da questão: A questão aborda variação linguística, figuras de linguagem (especialmente metonímia) e função conativa da linguagem, temas essenciais para o domínio da interpretação textual e norma-padrão, indispensáveis nas provas de concursos para Professor de Língua Portuguesa.

Justificativa da alternativa correta (D):

Exemplo 1: O uso de expressões como “oxente” e “arrodear” caracteriza uma variação linguística discursiva regional, isto é, uma adaptação do falante à realidade sociocultural e ao vocabulário típico de determinada região — no caso, o Nordeste brasileiro. Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra: “Essas marcas definem traços regionais do português brasileiro, não sendo erro, mas resultado do caráter vivo e plural da língua.”

Exemplo 2: “Paulo leu Paulo Coelho ano passado” — temos a metonímia, figura de linguagem na qual o autor é referido em vez da obra (“leu Paulo Coelho” = leu obras escritas por Paulo Coelho). Bechara destaca que é clássica a metonímia de autor pela obra.

Exemplo 3: “Deixe-me verificar os números” — uso do imperativo revela uma função conativa (apelativa): o foco está em influenciar o comportamento do interlocutor, característica central da função conativa, conforme elucidado nas gramáticas de referência.

Análise das alternativas incorretas:

(A) Erra ao dizer que o exemplo 1 está na linguagem culta (é coloquial). No exemplo 2, não há erro de código, mas sim metonímia.
(B) Atribui função emotiva ao exemplo 1, porém trata-se de variação regional; diz que a função do exemplo 3 é referencial, quando é conativa.
(C) Exemplo 1 não é fático; 2 não traz catacrese, mas metonímia; 3 apresenta ênclise, não próclise.
(E) Equivoca-se dizendo ser variação diastrática e gênero opinião — não é o caso; confunde funções e figuras de linguagem nos demais exemplos.

Estratégia para acertar questões desse tipo: Identifique marcadores típicos de região (variações), reconheça figuras de linguagem clássicas (como metonímia) e observe o verbo (imperativo — função conativa). Qualquer confusão entre esses conceitos pode levar ao erro.

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Comentários

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o exemplo 1 contém uma variação linguística discursiva regional; no exemplo 2, a figura de linguagem utilizada é a metonímia; e no exemplo 3, a função predominante é a conativa.

  • Metonímia: Substituição de um termo por outro próximo. Ex.: "Lemos Machado de Assis" (obras).

Beleza, vamos analisar juntos.

A frase é: “Deixe-me verificar os números.”

Função conativa (ou apelativa) da linguagem aparece quando o foco é no interlocutor, isto é, quando o emissor procura induzir, influenciar ou pedir algo ao receptor.

Normalmente, isso ocorre por meio de verbos no imperativo ou construções que tenham valor de pedido, ordem ou sugestão.

No exemplo:

  • O verbo “deixe” está no imperativo (mesmo que suavizado pelo pronome “-me”).
  • O falante não está apenas informando um fato, mas dirigindo-se a alguém, pedindo que esse alguém permita uma ação: verificar os números.

Portanto, a função conativa é predominante porque a frase tem caráter de pedido/apelo ao ouvinte, e não de simples informação (referencial) ou expressão pessoal (emotiva).

Quer que eu te mostre como a mesma frase ficaria em funções diferentes (ex.: emotiva, referencial, fática etc.) pra comparar?

Beleza, vamos analisar juntos.

A frase é: “Deixe-me verificar os números.”

Função conativa (ou apelativa) da linguagem aparece quando o foco é no interlocutor, isto é, quando o emissor procura induzir, influenciar ou pedir algo ao receptor.

Normalmente, isso ocorre por meio de verbos no imperativo ou construções que tenham valor de pedido, ordem ou sugestão.

No exemplo:

  • O verbo “deixe” está no imperativo (mesmo que suavizado pelo pronome “-me”).
  • O falante não está apenas informando um fato, mas dirigindo-se a alguém, pedindo que esse alguém permita uma ação: verificar os números.

Portanto, a função conativa é predominante porque a frase tem caráter de pedido/apelo ao ouvinte, e não de simples informação (referencial) ou expressão pessoal (emotiva).

Quer que eu te mostre como a mesma frase ficaria em funções diferentes (ex.: emotiva, referencial, fática etc.) pra comparar?

Linguagem diatópica, ou variação diatópica, refere-se às mudanças na língua que ocorrem de acordo com o local geográfico, manifestando-se em sotaques, vocabulário e até estruturas gramaticais diferentes entre regiões, estados, ou entre o campo e a cidade, como o uso de "mexerica" (Sul/Sudeste) ou "bergamota" (Rio Grande do Sul) para a mesma fruta. É uma das formas de variação linguística, junto com as variações diastráticas (sociais), diafásicas (contextuais) e diacrônicas (históricas).

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